O biólogo Atila Iamarino afirma que o mundo jamais será o mesmo depois do coronavírus. As pessoas terão de se acostumar com períodos cíclicos de quarentenas para garantirem sua segurança

Atila Iamarino (Foto: Reprodução/Youtube)

247 - O biólogo Atila Iamarino afirma que alertou logo o grau de perigo na pandemia de coronavírus, quando a maioria no Brasil desdenhava do problema.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ele diz: "no começo, o que eu dizia era o seguinte: o problema maior vai ser quando a gente tiver casos fora do território chinês. Se a China não contivesse o vírus, ninguém conseguiria – tanto pelo preparo e pela competência, pelas experiências anteriores que eles tiveram com a Sars [doença respiratória grave também causada por um coronavírus], quanto pelo autoritarismo. Ninguém seria capaz de agir tão cedo, nem passando tanto por cima do bem-estar individual para priorizar o coletivo, quanto eles. Ficou óbvio que era algo muito perigoso e problemático com o crescimento dos casos na Itália, no Irã e na Coreia do Sul. E aí a segunda ficha caiu quando eu li as projeções do que poderia acontecer.

Sobre a frase que ficou famosa, "as pessoas estão querendo voltar para um mundo que não existe mais", ele diz: "primeiro, é preciso ter em mente que, até a gente contar com uma vacina 100% segura, ou tão segura quanto possível, vai ser preciso esperar alguns anos. É possível que a gente fique, no começo, com uma vacina temporária, que funciona, mas é problemática para alguns grupos. Isso já aconteceu com a poliomielite, por exemplo. Então, no mínimo por um ano, mas mais provavelmente por dois anos, a gente vai ter de alternar períodos de reclusão com períodos nas ruas, construindo o máximo possível de infraestrutura, criando um funil largo, digamos, que permita que a gente abra a torneira."

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