Observadores das futricas palacianas dão conta de que Bolsonaro, depois de demitir Mandetta, anda com a caneta tinindo
Por Helena Chagas![]() |
Presidente Jair Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro - Foto Orlando Brito
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A razão para não demitir o ministro da Saúde em meio à pandemia era parecida com a que levou o presidente a segurar ações que pudessem levar à demissão de Moro até hoje: a aprovação popular do subordinado, e o consequente desgaste que a demissão poderia acarretar ao chefe. Bolsonaro ignorou os alertas, foi lá e fez. As consequências serão sentidas, mas, na psicologia bolsonariana, funcionou como um reforço de comportamento. Se tirou Mandetta e sobreviveu, por que não Moro?
Suas razões para demitir Valeixo não foram explicitadas, mas passam obviamente pela intenção de controlar a PF – e não só em investigações que podem atingir o senador Flávio Bolsonaro, mas sobretudo naquelas que apuram as ações da milícia digital bolsonarista e, agora, as que vão ter como alvo as manifestações a favor da intervenção militar e da volta do AI-5.
Se a demissão do ministro da Justiça se concretizar – o que ainda é duvidoso – , marcará o fim do governo eleito em 2018 sob o discurso do combate à corrupção, corporificado na nomeação do juiz da Lava Jato para a Justiça, e da agenda liberal de Paulo Guedes, que começa a ser substituída agora pelos planos mais desenvolvimentistas da ala militar do Planalto. Se Moro sair, Guedes pode ser o próximo, e terão caído os dois pilares da primeira fase do governo, seus “superministros”. Começa um novo governo, com os militares desenvolvimentistas e o Centrão, que abriga diversos dos investigados de Moro.
Aliás, não custa lembrar um pouco da história, e ela mostra que os presidentes eleitos como salvadores da pátria, na onda do discurso anticorrupção, costumam se dar mal: Jânio Quadros renunciou, Fernando Collor foi afastado pelo impeachment. O que será de Bolsonaro ainda não sabemos, mas não vai por um caminho seguro…
Os Divergentes

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