O interventor de Jair Bolsonaro no Ministério da Saúde, ocluso em seu gabinete, se comunicando por vídeos pré-gravados com a população, anuncia que irá aplicar 46 milhões de testes de identificação de infecções de coronavírus na população brasileira.
Seria ótimo, se fosse factível.
Acontece que, no mundo inteiro, somando-se mais de 200 países, nem a metade deste número de testes foi aplicado.
Os Estados Unidos, que com sua montanha de dinheiro, compraram grande parte dos testes disponíveis no mundo e mais com sua incrível capacidade da indústria norte-americana de produzir kits de verificação.
Fizeram 4 milhões de testes, 11,5 vezes menos que o sr. Nélson Teich promete aos brasileiros, com um objetivo expresso: relaxar as medidas de isolamento.
Ou o sr. Teich é um gênio, que conseguiu para nosso país o dobro de tudo o que o mundo teve de testes, ou está acenando com uma promessa que levará vários meses ou um ano para ser, ainda que parcialmente, cumprida ou está, simplesmente, mentindo.
Seja o que for, está “vendendo” uma ilusão ao povo brasileiro, algo infactível em um momento em que só temos a nossa decisão, como indivíduos e como coletividade, para nos defendermos de um mal terrível.
O nome disso, em medicina, é charlatanismo.
Teich deveria entender que sua legitimidade não vem da nomeação e dos agrados a quem o nomeou, Jair Bolsonaro, mas da população que se volta à autoridade sanitária em busca de uma orientação segura.
Não vai se sustentar se escondendo e fugindo dos questionamentos sobre as contradições entre o que diz – e do que disse, antes, sobre o isolamento social – e o que faz (nada) e o que promete.
Quando os impossíveis 46 milhões de testes do Sr. Teich ficassem prontos, em 2022 ou 2023, já teriam pouca ou nenhuma utilidade.
Falta a ele o sentido de urgência.
Mas, com isso, falta-lhe o da decência.
Promessas infactíveis, no jargão popular, merecem o nome de mentira.

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