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Apesar de todo o barulho nas redes, o apoio de fato é magro. Reprodução.

Opinião do blog Política

Não surpreende que o trabalho sujo e sob encomenda seja feito por um fantoche escolhido justo pra isso. Estamos vendo o Presidente interferir em investigações na PF à luz do dia, sem nenhum pudor! Fabiano Contarato (Rede-ES) , senador da República.


Inacreditável! Primeiro ato do novo diretor da Polícia Federal é trocar o chefe da PF no Rio, que investigava milicianos e o assassinato de Marielle. Família acima de tudo, milícia acima de todos! Guilherme Boulos, candidato do Psol à Prefeitura de São Paulo.

ATENÇÃO! Eu e os demais deputados do PSOL estamos pedindo a convocação do novo comandante da PF na Câmara. Rolando Souza mal assumiu o posto e já trocou a chefia da instituição no RJ. Não deixaremos que a PF seja transformada numa polícia política para proteger o presidente. Marcelo Freixo, deputado federal (Psol-RJ).

A primeira ação do novo diretor-geral da PF foi trocar o comando da Polícia Federal no Rio, lugar de investigações das milícias. Do que será que têm medo? É urgente que Bolsonaro seja investigado sobre possível interferência nas investigações da Polícia Federal. Por isso, hoje assinamos requerimento que pede a instalação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito com esse objetivo. Queremos saber o que o presidente tem a esconder. Talíria Petrone, deputada federal (Psol-RJ).


A primeira decisão do novo indicado por Jair Bolsonaro para diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, foi trocar o superintendente do Rio de Janeiro.

Rolando, na verdade, foi indicado por Alexandre Ramagem, amigo próximo de Carlos Bolsonaro, impedido de assumir por decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes.

A decisão causou algum mal estar no STF. O ministro Marco Aurélio, por exemplo, pediu que decisões da mesma natureza sejam tomadas pelo plenário da Corte.

No vácuo do mal-estar, Jair Bolsonaro avançou — sinalizando com um “basta” e alegando que tem o povo e as Forças Armadas ao lado dele.

Na verdade, o apoio a Bolsonaro segue na margem dos 30%, de acordo com a pesquisa mais recente do Atlas Político.

Pesquisas de opinião feitas durante a pandemia, por telefone, são sujeitas a margem de erro superior às tradicionais, com entrevistas nas ruas.

Bolsonaro, no entanto, “simula” grande apoio popular através das redes sociais, onde uma rede de robôs ajuda a causar um impacto na opinião pública muito superior à verdadeira dimensão do bolsonarismo.

Os bolsonaristas fazem “barulho” através de lives e comportamento esdrúxulo que acabam capturando na mídia — inclusive de esquerda — espaço muito superior à sua representatividade.

Criador do BotSentinel, sentinela dos robôs, o pesquisador Christopher Bouzy demonstrou que contas fake do tweeter ajudaram a levantar a hashtag #Na TrincheiraComBolsonaro nas últimas horas — notem que apoiadores de #Trump2020 usam o mesmo esquema.

A ação dos robôs num determinado dia e horário: lista de hashtags impulsionadas por contas não autênticas.


Carlos Henrique Oliveira, o novo superintendente da PF no Rio, ocupa cargo-chave por causa de investigações em andamento na base política da família Bolsonaro.

Mesmo que não atue diretamente nos casos, ele pode ter acesso a informações privilegiadas de interesse da família.

Estão em apuração no Rio, pelo Ministério Público Estadual, em parceria com a polícia civil, o assassinato da vereadora Marielle Franco e o esquema de rachadinhas envolvendo Fabrício Queiroz e o possível enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas do clã Bolsonaro.

Enfraquecido politicamente e futuro refém do Centrão, Bolsonaro tem apelado às Forças Armadas.

A crescente militarização do governo faz com que o Exército, mesmo que informalmente, tenha se tornado o fiador do governo Bolsonaro, um regime cívico-militar que faz lembrar os estertores da ditadura encerrada em 1985.

As tradicionais bravatas da política brasileira são históricas.

No golpe de 64, um “dispositivo militar” do presidente João Goulart fracassou miseravelmente, quando o mandatário optou pela fuga, em vez de enfrentar os golpistas.

Ciente disso e com uma máquina de assassinar reputações que causa impacto pessoal naqueles que poderiam freá-lo, Bolsonaro avança em seus objetivos: controlar todas as investigações que porventura possam colocá-lo em risco de sofrer impeachment.

A sobrevivência de Bolsonaro interessa àqueles que pretendem polarizar com um presidente enfraquecido em 2022.

Durante a crise do mensalão, o presidente Fernando Henrique Cardoso não endossou a campanha do impeachment do então presidente Lula, acreditando que poderia apeá-lo do poder em 2016 — fracassou.

O comportamento dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, e de ministros do STF demonstram que a estratégia de Bolsonaro, aos trancos e barrancos, tem sido bem sucedida — como foi a de Michel Temer para se sustentar no poder apesar de gravíssimas acusações.

Curiosamente, a maior ameaça a Bolsonaro vem de seu grande fiador: o ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Convertido à antipolítica por uma campanha da mídia, especialmente da TV Globo, que vem desde os primórdios do governo Lula, diuturnamente, o aparato do Judiciário abraçou a Operação Lava Jato e pode engolfar o governo Bolsonaro se ele de fato acabar no colo do Centrão.

A esquerda assiste em isolamento social o que pode ser a grande disputa de 2022: bolsonarismo versus morismo.


Viomundo

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