Aproximação entre o extremista pré-candidato a presidente e o coach condenado por golpes que fascina setores do eleitorado com suas bobagens é preocupante. Entenda

Desde que se lançou oficialmente como pré-candidato à Presidência da República, com a chancela de seu pai, que está preso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem procurado rodar o Brasil com a disposição de quem tem como missão reduzir uma gritante e brutal rejeição. Se observarmos esse “tour”, perceberemos que volta e meia ele se encontra com o coach condenado por golpes Pablo Marçal, espécie de Rasputin da extrema direita brasileira, que encanta vários setores do eleitorado com suas bobagens desconexas que extravasam em muito o bom senso.
Marçal praticamente rompeu com o clã desde a eleição municipal de 2024, quando ficou em terceiro lugar num quase empate triplo juntamente com Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL), em São Paulo, sendo que os dois mencionados por último acabaram passando para o segundo turno. De lá para cá, deixou claro que “era péssimo para a direita brasileira ficar refém de Bolsonaro”, rogando para que alguma figura “de fora do sistema” surgisse até a eleição nacional deste ano, já que ele mesmo está inelegível, por decisão da Justiça Eleitoral, por conta das mentiras e baixarias criminosas das quais lançou mão contra Boulos no único pleito que disputou na vida.
De repente, o país é surpreendido com a aproximação do coach da enrolação com o primogênito do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado. Para contornar o que havia dito anteriormente, Marçal declara apoio a Flávio e argumenta que ele seria “o único Bolsonaro com perfil presidenciável”. O namorico passa a se entranhar e agora as equipes de ambos caminham juntas de olho na disputa de outubro.
O fato é que essa aproximação tem uma explicação claríssima e quem está de olho em receber algum benefício é Flávio Bolsonaro. Mesmo depois de todos os insultos e agressões por parte de Marçal, algo extremamente imperdoável para o antigo clã presidencial, o filho 01 do ex-ocupante do Palácio do Planalto sabe que o coach goiano de ficha criminal nada honrada tem uma penetração assustadora na juventude das periferias dos grandes centro urbanos brasileiros.
Aliás, foi esse segmento, hipnotizado pela linguagem recheada de gírias moderninhas e do mundo da tecnologia, assim como pelas promessas de dinheiro fácil pela via digital, que garantiu a ele os 1.719.274 votos em 2024, ou seja, 28,14% do eleitorado total da maior megalópole do país.
E em termos nacionais, um dos setores menos identificados com a família Bolsonaro e que mais os rechaça é justamente o dos jovens pobres das “quebradas” metropolitanas, já que o clã invariavelmente os trata de forma estigmatizada, como se formassem uma horda de marginais, e aplaude publicamente a violência policial praticada nessas áreas vulneráveis. Aí entraria o papel de Pablo Marçal, trazendo votos para Flávio nesses numerosos e superpovoados rincões socioeconômicos.
Resta saber agora se a cartada e a aliança darão certo, assim como descobrir o que Marçal quer como pagamento, uma vez que seu perfil não deixa dúvidas de que ele jamais agiria sem um interesse por trás de tal estratégia.
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