Senadora vem sendo detonada nas redes por, somente agora, se preocupar com a situação de uma pessoa presa

A senadora Damares Alves
A senadora Damares Alves - Foto: Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

Após a queda de Jair Bolsonaro na sala onde cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, a senadora Damares Alves (Republicanos) decidiu lançar a cartada dos “direitos humanos” — mas apenas para defender o ex-presidente.

Em ofício enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira (8), Damares pediu uma vistoria na sala onde Bolsonaro está preso, alegando preocupação com “a dignidade da pessoa humana, a integridade física e psíquica dos custodiados e as condições materiais de cumprimento de medidas restritivas de liberdade”.



A iniciativa gerou críticas e ironia nas redes sociais, já que Bolsonaro cumpre pena em uma cela equipada com TV, ar-condicionado, frigobar e inúmeras regalias, muito acima das condições de qualquer preso comum brasileiro. Trata-se de oportunismo político, já que Damares, mesmo em sua época de ministra dos Direitos Humanos, nunca demonstrou preocupação com a situação da população carcerária.

Cela VIP: regalias em vez de risco real

O pedido da senadora surge depois que Michelle Bolsonaro informou que o ex-presidente caiu enquanto dormia e bateu a cabeça em um móvel. Bolsonaro foi atendido inicialmente por médicos da PF. Depois, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, realizou exames de imagem no Hospital DF Star e, segundo os médicos, nada indicou necessidade de intervenção:

“Leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica”.

Mesmo assim, Damares tratou o episódio como um suposto risco à integridade física do ex-presidente, ignorando completamente que Bolsonaro vive em uma sala especial de Estado-Maior, equipada como se fosse um quarto de hotel. Para completar, a defesa do ex-presidente solicitou uma Smart TV e acompanhamento espiritual, justificando que o equipamento é necessário para o “vínculo do custodiado com a realidade social, política e institucional do país”.

Direitos humanos seletivos

No ofício, Damares citou como precedente a vistoria feita na cela do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba, em 2018, para justificar a atenção especial a Bolsonaro. “Em 2018, quando, durante a custódia do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas dependências da Polícia Federal em Curitiba, parlamentares e a própria Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal realizaram diligência oficial para averiguar as condições de prisão, com autorização judicial e institucional, em estrita observância ao princípio da isonomia e à proteção dos direitos humanos”, afirmou a senadora.

 Publicado originalmente por: Revista Fórum

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