"Ainda não estamos exatamente na meta do Banco Central, mas a convergência é clara e relevante"

Relatório Focus (Foto: Aquiles Lins)
Relatório Focus (Foto: Aquiles Lins)

O Relatório Focus segue mostrando uma trajetória bastante positiva para as expectativas de inflação. A projeção para este ano caiu para 3,97%, enquanto para o ano que vem está em 3,8% e, para 2028, em 3,5%. É a primeira vez em muito tempo que vemos três horizontes — incluindo o ano corrente — com inflação esperada abaixo de 4%.

Ainda não estamos exatamente na meta do Banco Central, mas a convergência é clara e relevante. No cenário do Focus, a inflação se aproxima bastante da meta no terceiro trimestre do ano que vem, com expectativa de 3,8%. Isso sinaliza um ganho importante de credibilidade do Banco Central nos últimos anos, algo que aparece de forma consistente nas expectativas do mercado.

O câmbio também permanece bastante estabilizado nas projeções, em torno de R$ 5,50 neste ano, no próximo e em 2028. Já o crescimento econômico é esperado perto de 2%: 1,8% neste ano, 1,8% no próximo e algo próximo de 2% nos anos seguintes. Dá para imaginar um crescimento na casa de 2% ao longo dos próximos três anos, um cenário bastante razoável, com inflação convergindo para mais perto de 3% e o câmbio relativamente estável.

Em relação à política monetária, o mercado continua projetando a Selic em 12,25% ao final deste ano, 10,5% no ano que vem e 10% em 2028. No setor externo, o cenário segue com déficit em conta corrente em torno de US$ 65 bilhões. Não é um cenário ideal, mas é bastante administrável e compatível com estabilidade macroeconômica nos próximos anos.

A expectativa de corte de juros já a partir de março segue firme. A dúvida está no ritmo: 0,25 ou 0,50 ponto percentual. O corte de 0,50 começa a ganhar força. Vale lembrar que cada ponto percentual de redução da Selic representa cerca de R$ 50 bilhões a menos em despesas com juros por ano. Se conseguirmos levar a Selic para algo próximo de 10% nos próximos dois anos, estamos falando de uma economia da ordem de R$ 250 bilhões por ano. Em uma janela de três anos, isso pode chegar a algo próximo de R$ 750 bilhões, um alívio enorme para o endividamento público e para o déficit nominal.

Hoje, o déficit nominal é praticamente todo explicado pelos juros, que somam cerca de R$ 1 trilhão, algo próximo de 10% do PIB. O déficit primário do ano passado ficou em torno de apenas R$ 50 bilhões. Isso mostra o quanto a dinâmica dos juros é central para o ajuste fiscal.

 Publicado originalmente por: Brasil 247

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