Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou e Havana estão negociando soluções para escassez de combustível causada pelo bloqueio norte-americano
O porta-voz da Presidência Rússia, Dmitry Peskov, afirmou nesta segunda-feira (09/02) que a situação em Cuba é “verdadeiramente crítica” ao comentar sobre a escassez de combustível para aviões e veículos de transporte na ilha, enquanto os EUA intensificam sua pressão econômica e militar.
“Mantemos contato intenso com nossos amigos cubanos por meio de canais diplomáticos e outros. De fato, as técnicas de asfixia usadas pelos Estados Unidos estão causando sérias dificuldades para o país”, lamentou.
Em resposta a essa situação, o porta-voz indicou que Moscou está negociando com as autoridades cubanas para encontrar soluções. “Estamos conversando sobre possíveis maneiras de resolver esses problemas ou, pelo menos, de fornecer toda a assistência que estiver ao nosso alcance”, concluiu Peskov.
Na última semana, o embaixador da Rússia em Cuba, Viktor Koronelli, afirmou que “o petróleo russo tem sido fornecido a Cuba em diversas ocasiões nos últimos anos”. “Esperamos que essa prática continue”, acrescentou.
Medidas contra a “política coercitiva” dos EUA
O governo cubano apresentou, na última sexta-feira (06/02), medidas para enfrentar a intensificação das políticas dos EUA contra a ilha.
“Essa política coercitiva [dos EUA] tem sido caracterizada por perseguição financeira e sanções secundárias contra navios e empresas que tentam trazer combustível para o nosso país, navios que são legalmente contratados por Cuba, exercendo seu direito como qualquer outro Estado do mundo”, disse o vice-primeiro-ministro do país, Oscar Pérez-Oliva Fraga.

“Estamos conversando sobre como fornecer toda assistência que estiver ao nosso alcance”, disse Peskov
Presidential Executive Office of Russia
Assim, as iniciativas anunciadas dizem respeito à produção e utilização de combustíveis, ao setor energético, à agricultura e à saúde . Em particular, as autoridades apelaram para que se tire o máximo proveito das capacidades da ilha, tanto para a produção alimentar como para a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis.
Ameaças de Trump a Cuba
Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando “estado de emergência nacional” em resposta à alegada “ameaça incomum e extraordinária” que, segundo Washington, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região.
O texto acusa o governo cubano de se aliar a “numerosos países hostis”, abrigar “grupos terroristas transnacionais” como o Hamas e o Hezbollah, e permitir o destacamento na ilha de “sofisticadas capacidades militares e de inteligência” da Rússia e da China.
Mais tarde, Trump reconheceu que sua administração mantém contatos com Havana e indicou que chegarão a um acordo com Cuba, embora tenha descrito o país caribenho como “uma nação em declínio” que “não depende mais da Venezuela” para se sustentar.
Por sua vez, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel avaliou que a medida norte-americana “demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida de Trump, que se apropriou dos interesses do povo americano para obter ganhos puramente pessoais”.
Em meio às tensões, Moscou expressou sua “firme disposição de continuar fornecendo a Cuba o apoio político e material necessário”. “O lado russo reafirmou sua posição de princípio quanto à inaceitabilidade de exercer pressão econômica e militar sobre Cuba, incluindo o bloqueio do fornecimento de energia da ilha, o que poderia levar a uma grave deterioração da situação econômica e humanitária no país”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.
(*) Com RT en español
Publicado originalmente por: Opera Mundi
Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;