Presidente do BNDES estima fechar 2026 com R$ 1 trilhão investidos em infraestrutura nos últimos quatro anos

Lula e Aloizio Mercadante (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Lula e Aloizio Mercadante (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - 
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou nesta quarta-feira (11), no Palácio do Planalto, que o Brasil atravessa um novo momento de fortalecimento dos investimentos públicos e privados em obras estruturantes, com destaque para o setor de transportes. A declaração foi feita durante cerimônia de apresentação do Plano de Investimentos em Ampliação e Modernização de Aeroportos, iniciativa vinculada ao Novo PAC.

No evento, que contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Mercadante detalhou que o pacote anunciado prevê um volume total de R$ 9,2 bilhões em investimentos para modernização de aeroportos administrados pela Aena. O plano conta com apoio de R$ 4,64 bilhões do BNDES e tem como objetivo ampliar a capacidade operacional do sistema aeroportuário, além de estimular a geração de empregos diretos e indiretos.

Segundo Mercadante, a operação será executada em etapas e, neste primeiro momento, o financiamento entregue soma aproximadamente R$ 5,7 bilhões. “Estamos anunciando um investimento em que o volume total será de R$ 9,2 bilhões. Estamos fazendo nessa primeira etapa, entregando um financiamento de R$ 4,7 bilhões arredondados, onde o BNDES é responsável por R$ 4,7 bilhões e o Santander mais R$ 1 bilhão. Estamos fazendo aqui R$ 5,7 bilhões”, afirmou.

O plano contempla obras em 11 aeroportos localizados em quatro estados: Congonhas (SP), Campo Grande (MS), Ponta Porã (MS), Corumbá (MS), Santarém (PA), Marabá (PA), Carajás (PA), Altamira (PA), Uberlândia (MG), Uberaba (MG) e Montes Claros (MG). A proposta faz parte da estratégia do governo federal de fortalecer a conectividade aérea, modernizar terminais e impulsionar o desenvolvimento regional.

Atualmente, esses aeroportos movimentam cerca de 29 milhões de passageiros por ano. Com a modernização e a ampliação da capacidade, a expectativa é que o bloco esteja preparado para atender mais de 40 milhões de passageiros anualmente. Mercadante ressaltou que a maior parte do investimento inicial será direcionada ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. “É uma operação que vai beneficiar 29 milhões de passageiros hoje. Desses, há uma grande concentração em Congonhas, que nessa primeira etapa vai consumir R$ 3,8 bilhões. E a perspectiva é de 40 milhões de passageiros em 11 aeroportos”, disse.

Durante o discurso, o presidente do BNDES destacou que a ampliação da infraestrutura aeroportuária representa uma mudança de padrão na mobilidade e na competitividade econômica do país. “É uma mudança de padrão que vai trazer muita gente para voar, ter conforto, aumenta a competitividade, a eficiência da economia, agiliza as decisões de negócios, permite às famílias usufruírem, não só as pessoas jurídicas”, declarou.

Mercadante também enfatizou o impacto regional do pacote, citando benefícios diretos para diferentes estados, especialmente no Centro-Oeste e na Região Norte. “E os municípios que vão ser beneficiados, vai ter um grande impacto na região [do Mato Grosso do Sul], mas beneficia também no Pará, um estado gigantesco. E ainda Minas Gerais”, afirmou.

Ao fazer um balanço dos investimentos recentes em infraestrutura, Mercadante comparou os resultados do atual governo com o período anterior. “Seu governo já fez em três anos R$ 788 bilhões, 48% é crédito. E mais da metade é o esforço do Estado em recuperar a infraestrutura. Estamos vivendo um ciclo de expansão da infraestrutura no Brasil”, afirmou, dirigindo-se ao presidente Lula.

Na sequência, ele apontou que o governo anterior teria alcançado R$ 715 bilhões em quatro anos, enquanto a projeção para o atual mandato é superar esse patamar. “O governo anterior fez em quatro anos R$ 715 bilhões. E a nossa projeção é chegarmos a R$ 1 trilhão, o que vai ser uma realização espetacular. Está dando muito emprego, muito impulso, muito avanço”, declarou.

Mercadante também detalhou a participação do BNDES nesse processo, afirmando que o banco já concedeu R$ 224 bilhões em crédito dentro do total de R$ 788 bilhões mobilizados. Ele comparou o volume ao registrado na gestão anterior. “Desses R$ 788 bilhões, o BNDES está fazendo em crédito R$ 224 bilhões. O governo anterior fez em quatro anos R$ 167 bilhões”, disse.

O presidente do BNDES ressaltou ainda que o cenário atual difere do período anterior, pois o banco deixou de operar com subsídios a partir de 2023. “Até 2022 o BNDES tinha subsídio na taxa básica de juros. A partir de 2023, acabaram os subsídios. Em infraestrutura, 85% do que a gente fez é sem subsídio”, afirmou.

Ao comentar o ambiente econômico, Mercadante criticou o patamar da taxa Selic, em 15% ao ano, afirmando que os juros elevados dificultam o investimento produtivo. “Essa taxa Selic dificulta o investimento, está penalizando empresas brasileiras e está pronta para cair de forma sustentável e, espero, acelerada, para que a gente possa destravar ainda mais o investimento no Brasil”, declarou.

Ele explicou que o banco tem buscado alternativas para garantir financiamentos de longo prazo, mesmo diante do cenário de juros altos. “Nós inovamos, captamos recursos no mercado - o que garante esse investimento são das debêntures incentivadas - mas quando a gente capta os recursos, estamos fazendo debêntures faseadas”, afirmou, apontando que o modelo permite ajustes ao longo do tempo conforme melhora o ambiente macroeconômico.

Mercadante destacou que a estratégia busca dar flexibilidade ao andamento dos projetos, com possibilidade de adaptação durante a execução. “Vamos ao longo do tempo permitindo que o projeto vá se ajustando à melhora do ambiente macroeconômico em relação à política monetária”, explicou.

O presidente do BNDES também associou o avanço dos investimentos ao atual cenário de mercado de trabalho e renda no país. “Aproveitando esse momento extraordinário de recorde de emprego, de menor desemprego, de maior renda per capita, melhor índice de distribuição de renda. Então você dá flexibilidade ao projeto”, afirmou.

Segundo ele, a instituição também desenvolveu mecanismos para ajustes contratuais ao longo da implementação das obras, evitando travas excessivas. “Desenvolvemos também um projeto para ajustes no contrato ao longo do processo. A gente não engessa a empresa. É muito mais flexível o financiamento, por isso esse avanço que estamos tendo em torno da estrutura”, disse.

O Plano de Investimentos em Ampliação e Modernização de Aeroportos reforça a agenda do governo federal de interiorização do tráfego aéreo e ampliação da integração entre capitais e municípios do interior. Com a ampliação prevista, os aeroportos devem aumentar sua capacidade de atendimento, impulsionando o turismo, o transporte de negócios e o desenvolvimento econômico em diversas regiões do país.

 Publicado originalmente por: Brasil 247

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