Solidariedade internacional ignora Trump e alivia crise energética na ilha por 10 dias


Davi Molinari

Petroleiro russo Anatoly Kolodkin leva combustível a Cuba

A chegada do petroleiro russo Anatoly Kolodkin ao porto de Matanzas, neste domingo (29), marca um ponto de inflexão na pressão econômica exercida pelos Estados Unidos contra a ilha caribenha. Carregada com aproximadamente 730 mil barris de petróleo bruto, a embarcação russa atracou em porto cubano após recuo do governo de Donald Trump, que declarou publicamente “não ver problemas” no envio de combustível para fins humanitários. 

O movimento ocorre em um cenário de severa crise energética em Cuba, agravada pela interrupção dos suprimentos venezuelanos e pelo endurecimento das sanções de Washington desde janeiro de 2026. A carga russa é estimada como suficiente para suprir a demanda de diesel por cerca de dez dias, garantindo o funcionamento de hospitais e do transporte público. 

O recuo de Washington e a Ordem Executiva 

Em 29 de janeiro, a Casa Branca estabeleceu uma Ordem Executiva de emergência nacional, autorizando tarifas retaliatórias contra países que fornecessem petróleo a Cuba. No entanto, diante do agravamento das condições de vida na ilha e de uma conjuntura internacional de crescente contestação às políticas de sanções unilaterais, Trump foi obrigado a recuar também nesta frente. 

Embora a Ordem Executiva permaneça vigente no que tange a barreiras comerciais de longo prazo, o presidente estadunidense modificou verbalmente a diretriz para permitir este envio específico, priorizando necessidades básicas e serviços essenciais. A Guarda Costeira dos EUA, que monitora a região com navios patrulha (cutters), não interferiu na trajetória do Anatoly Kolodkin.

Uma Rede Global de Solidariedade 

O aporte russo não é uma ação isolada, mas parte de uma união internacional que busca mitigar o impacto do bloqueio sobre a população cubana. O governo chinês de Xi Jinping oficializou a doação de 60 mil toneladas de arroz, das quais 15.600 toneladas já desembarcaram em Havana em março. O pacote inclui ainda uma assistência financeira de US$ 80 milhões destinada à recuperação econômica. 

O coordenador residente da ONU em Cuba, Francisco Pichón, apresentou um plano de emergência de US$ 94,1 milhões. O projeto foca na importação de combustível com rastreabilidade total para manter serviços de saúde e saneamento em oito províncias, beneficiando cerca de 2 milhões de pessoas. 

A caravana Nuestra América — uma iniciativa de ONGs, centrais sindicais, entidades de direitos humanos e partidos políticos —, com apoio de ativistas de mais de 30 países, entregou em março 20 toneladas de ajuda humanitária. 

O destaque do carregamento foi a doação de 73 painéis solares e geradores, avaliados em US$ 500 mil, voltados para a autonomia energética de centros médicos. A secretária de Relações Internacionais do PCdoB, Ana Prestes, que também participou da missão, descreveu a situação da ilha provocada pelo bloqueio norte-americano como “guerra sem bombas”.

Solidariedade Internacional 

O Kremlin, por meio do seu Ministério dos Transportes, reiterou que os suprimentos enviados a Cuba possuem caráter humanitário e condenou as tentativas de “sufocamento” econômico da ilha. Em Cuba, o presidente Miguel Díaz-Canel tem enfatizado a resiliência do país diante de um hiato de três meses sem importações regulares de combustível. 

A convergência de esforços entre potências como Rússia e China, aliada a mecanismos multilaterais da ONU e a movimentos de solidariedade da sociedade organizada, demonstra que o isolamento pretendido pela política externa de Washington enfrenta limites práticos e éticos diante da iminência de um colapso humanitário na região.


 Publicado originalmente por: vermelho.org.br

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