Guilherme Boulos, classificou o resultado como fruto de uma "aliança entre bolsonarismo e chantagem política" e afirmou que "o Senado sai menor desse episódio lamentável"

Foto de Pedro França - Agência Senado

O plenário do Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, decisão criticada pelo governo, que respondeu ao resultado com surpresa e indignação.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou o resultado como fruto de uma “aliança entre bolsonarismo e chantagem política” e afirmou que “o Senado sai menor desse episódio lamentável”.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, que apareceu ao lado de Messias após a votação, adotou tom mais contido, mas também foi crítico. “Em nome do governo do presidente Lula, nós queremos dizer que aceitamos a decisão do Senado. Cabe, portanto, ao Senado explicar as razões que levaram a maioria a não aprovar uma das melhores indicações da República”, disse.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou ter recebido o placar com “surpresa“. “Cada um vota como quer”, limitou-se a dizer. Já o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuiu a derrota à “pressão do processo eleitoral” e à polarização atual do Senado, descartando qualquer papel do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), no resultado. Randolfe confirmou que Lula fará uma nova indicação.

“A vida é assim”

Após o resultado, Messias falou brevemente e com serenidade. “Sou grato aos votos que recebi. Vim hoje, participei, me submeti a uma sabatina de coração aberto, de alma leve. Falei a verdade, o que penso, o que sinto. Agora, a vida é assim, tem dias de vitórias e dias de derrotas”, disse o advogado-geral da União.

Messias reconheceu o peso do momento, mas recusou qualquer tom de amargura. “Não é simples para alguém de minha trajetória passar por uma rejeição”, admitiu, antes de acrescentar: “Eu não encaro isso aqui como um fim. Isso aqui é uma etapa do processo da minha vida. A história não acaba aqui.” Ele também agradeceu a Lula pela confiança e disse que faz parte do processo democrático “saber ganhar e saber perder”.

Mendonça lamenta

O ministro André Mendonça foi o primeiro integrante do Supremo a se manifestar publicamente após o resultado. Em postagem nas redes sociais, disse respeitar a decisão do Senado, mas não poupou elogios ao colega rejeitado.

“O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais”, escreveu. Pastor presbiteriano, Mendonça encerrou com uma referência bíblica: “Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!”

Mais cedo, Messias havia sido aprovado na CCJ por 16 votos a 11, após uma sabatina de cerca de oito horas. O governo entrou na votação do plenário confiante, com aliados calculando apoio de ao menos 45 senadores, número que não se confirmou. A oposição, que dizia ter 30 votos contrários, terminou o dia com 42.

*Com informações do g1 e Agência Brasil.

 Publicado originalmente por: GGN

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