Ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da República defendeu trabalho infantil

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- Lindbergh Farias - Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) fez duras críticas ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O pré-candidato à presidência da República defendeu o trabalho infantil, durante participação em um podcast. O parlamentar publicou um vídeo nas redes sociais, neste sábado (2), para reagir às afirmações.

Em entrevista ao podcast Inteligência Limitada, na sexta-feira (1º), Dia do Trabalhador, Zema disse: “No Brasil parece que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal. Aqui é proibido, você está escravizando criança. Então, é lamentável. Mas acho que, tenho certeza que nós vamos mudar isso aí”.

Lindbergh reagiu: “Zema defendendo trabalho infantil. Esse cara já atacou nordestino, já defendeu que os trabalhadores tivessem jornada de 12 horas diárias. Veja isso aqui”, disse, postando o vídeo em que o ex-governador mineiro defende o trabalho infantil.

“E esse cara ainda quer ser presidente da República. É a velha cabeça escravocrata. Nós tivemos 350 anos de escravidão no nosso país. Essa cultura ainda está presente numa fala como essa”, completou o deputado.

Junto ao vídeo, Lindbergh escreveu: “Trabalho infantil não é solução, Zema. É retrocesso. Romeu Zema normalizando criança trabalhando como se fosse algo positivo… no Dia do Trabalhador. O Brasil já superou 350 anos de escravidão, mas essa mentalidade insiste em aparecer. E ainda quer ser presidente da república uma figura como essa. Criança tem que estar na escola. Não trabalhando”.

Brasil ainda tem 1,65 milhão de crianças trabalhando

Os dados oficiais mais recentes do IBGE mostram que o Brasil tinha 1,650 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024. O número representa 4,3% da população nessa faixa etária, segundo a PNAD Contínua.

Desse total, 1,195 milhão realizavam atividades econômicas e 455 mil produziam apenas para o próprio consumo. O levantamento também apontou aumento de 34 mil crianças e adolescentes nessa condição em relação a 2023.

O tema é tratado por organismos públicos como violação de direitos, não como alternativa de renda familiar. A legislação brasileira permite a aprendizagem profissional a partir dos 14 anos, com regras específicas de proteção, jornada reduzida e obrigação de manter a frequência escolar.

Tentativa de explicação só piorou

Após a repercussão negativa, o político do Novo tentou explicar a defesa do trabalho infantil, mas piorou a situação ao usar o tráfico como argumento para justificar a entrada precoce de adolescentes no trabalho.

Em publicação no X, o ex-governador de Minas Gerais disse que quer “ampliar oportunidades” para jovens começarem cedo, “com proteção” e “sem atrapalhar a escola”.

No post publicado em sua conta oficial, Zema tentou enquadrar a fala como defesa da aprendizagem profissional a partir dos 14 anos. O problema é que essa modalidade já existe na legislação brasileira e não autoriza trabalho infantil fora das regras de proteção previstas em lei.

“No Brasil já é permitido trabalhar a partir dos 14 anos, como aprendiz. Isso é uma coisa boa. Porque o jovem precisa aprender, precisa ter responsabilidade”, escreveu Zema.

Na sequência, o ex-governador afirmou que defende “ampliar oportunidades para quem quer começar cedo”. Ele não explicou, no entanto, qual mudança pretende fazer nem como essa ampliação funcionaria fora das regras já previstas para o jovem aprendiz.

Ao tentar se defender, Zema associou a falta de trabalho ao recrutamento de adolescentes por facções criminosas. A justificativa desloca o debate da proteção de crianças e adolescentes para uma retórica de medo, usada para legitimar a entrada precoce no trabalho.

“Porque o maior erro é deixar o jovem sem perspectiva, ou na informalidade. É aí que o tráfico faz a festa. As facções já oferecem um plano de carreira perverso para recrutar adolescentes para o crime”, afirmou.

O ex-governador completou dizendo que pretende oferecer “um caminho do bem” por meio da “educação e do trabalho honesto”. A fala, porém, não apaga o ponto central da declaração original: Zema havia defendido que crianças pudessem trabalhar em “questões simples” e lamentou que, no Brasil, esse tipo de atividade seja proibido.

 Publicado originalmente por: Revista Fórum

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