Ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, criticou ação dos bolsonaristas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (2) um novo gesto público de aproximação com a família Bolsonaro ao publicar, em sua rede social Truth Social, uma foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na postagem, Trump escreveu: “Foi ótimo receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca. Um homem jovem que ama o seu país, Brasil”.
A manifestação ocorre poucas horas após o filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentar afastar sua atuação política da nova ofensiva comercial anunciada pela Casa Branca contra o Brasil. Ao longo do dia, o senador buscou minimizar as críticas de que a articulação internacional do bolsonarismo teria contribuído para a decisão da gestão republicana de impor tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras. O parlamentar afirmou que as medidas seriam resultado de decisões do governo brasileiro e negou qualquer responsabilidade da família Bolsonaro pelo agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países.
Nos últimos meses, integrantes da família Bolsonaro intensificaram contatos com aliados do republicano nos Estados Unidos, em meio às investigações e processos judiciais que atingem o ex-mandatário brasileiro. O gesto também contrasta com a tentativa de Flávio de se apresentar como observador externo da crise comercial, já que o elogio público evidencia o canal direto mantido entre o senador e o principal responsável pela política tarifária estadunidense.
Procurando se desvincular das acusações de que aliados do bolsonarismo teriam incentivado a ofensiva comercial dos Estados Unidos, Flávio também enviou nesta terça-feira um ofício ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. No documento, o senador afirma que “a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro” e formaliza o pedido para que Washington não aplique sanções comerciais ao país. O parlamentar sustenta que a economia brasileira enfrenta dificuldades fiscais e sociais e argumenta que os brasileiros “veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo”.
Mais cedo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com dureza e tom de soberania à conclusão preliminar da investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301, que pode resultar na imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o Palácio do Planalto atribuiu a ofensiva estadunidense à atuação da família Bolsonaro junto à administração de Donald Trump e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade para responder a eventuais sanções.
Na nota, a gestão Lula diz que a investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) teve início em julho de 2025 “por provocação da família Bolsonaro” e está ligada a uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil. A nota cita diretamente a viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington e acusa aliados do ex-presidente de conspirarem contra os interesses nacionais.
“Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, afirma o texto.
Publicado originalmente por: Brasil de Fato
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