Nos últimos 12 anos a TV Globo perdeu dezenas (talvez uma centena) de bons profissionais. Os de ponta e os talentos promissores que não foram aproveitados e que, hoje, brilham em outras emissoras, como jovens "desgarrados".

Muitos vão dizer: - Ah, é natural que seja assim. Natural coisa nenhuma. A oligopolização concentra e empurra para a "clandestinade" todos aqueles que não aceitam, ou não se adaptam, à doutrina dos que estão no comando.

Agora vejamos a coincidência. O esfacelamento da audiência do principal telejornal da emissora, o Jornal Nacional, coincide com a ascensão de Ali Kamel ao poder. Foi com ele que a emissora do Jardim Botânico pôs tudo a perder.

A resposta vem do público e das ruas. As pessoas começaram a ficar de "saco cheio" do jornalismo leviano que durante anos pautou os desígnios da nação. E o que entristece mais a nós todos, colegas do bom jornalismo é o silêncio imposto às dezenas dos que ficaram na crença de que bastava esperar um pouco que a chefia mudaria e tudo voltaria a funcionar bem novamente.

Seguem os números lançados pelos jornalista Paulo Nogueira, ex-chefão da editora Globo, do grupo:

"Desde 2000 quando dava cerca de 39,2 pontos de média anual, o “JN” já perdeu ao menos 33% de seus telespectadores. Ou seja, um em cada três brasileiros deixou de assistir ao principal telejornal da Globo. O gráfico do Ibope consolidado nos últimos anos mostra que a queda está se acentuando nos últimos dois anos.

Em 2011, a média do “JN” era de 32 pontos, caiu para 28,2 pontos no ano passado e a média parcial de 2013 já bate 26,3 pontos, a menor média histórica.

O curioso é que o total de TVs ligadas não sofreu grande variação desde 2000. Ou seja, isso mostra um sinal inequívoco que o espectador continua com a TV ligada, mas está buscando outras atrações, seja o “Jornal da Record” ou as novelinhas do SBT, ou vai para a TV paga ou joga games ou ainda deixa a TV ligada em outro canal e fica conectado nas redes sociais."

Aqui faço um destaque: Para quem não tem familiaridade com o painel abaixo, ajudo. O IA significa índice de audiência. O SH significa share, ou seja, a porcentagem de televisores ligados num determinado canal. Quanto mais alto o share, maior a participação naquele horário. Dou um exemplo: Ter 56% no horário nobre, onde há mais TVs ligadas é melhor do que ter 90% nas manhãs ou tardes, quando o número de televisores cai a menos, bem menos da metade.

Só há um reparo a fazer. A oscilação de share apesar de muito pequena, é bastante significativa e tem a ver principalmente com a mudança de hábitos do brasileiro. Mas muitos dos que ficaram, de fato, estão pulando fora da Globo. O país agradece.


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