Em mais um editorial, o jornal O Globo, dos irmãos João Roberto, Roberto Irineu e José Roberto Marinho, prega a abertura do pré-sal a empresas internacionais, como Shell, BP, Exxon e Chevron. "Se o governo quisesse amanhã promover a licitação de qualquer outra área no pré-sal esbarraria na impossibilidade de a Petrobras assumir mais compromissos tão vultosos. Isso não faz sentido, porque amarra o desenvolvimento da indústria petrolífera do país como um todo", diz o texto
247 - Em mais um editorial, o jornal O Globo, dos irmãos João Roberto, Roberto Irineu e José Roberto Marinho, prega a abertura do pré-sal a empresas internacionais, como Shell, BP, Exxon e Chevron. "Se o governo quisesse amanhã promover a licitação de qualquer outra área no pré-sal esbarraria na impossibilidade de a Petrobras assumir mais compromissos tão vultosos. Isso não faz sentido, porque amarra o desenvolvimento da indústria petrolífera do país como um todo", diz o texto; de acordo com o editorial, a Petrobras pode continuar a ser protagonista, mas "sem a obrigatoriedade de ser operadora única e uma participação mínima nos consórcios de investidores"
Leia abaixo:
Monopólio de fato no pré-sal não faz sentido
Se o governo decidisse hoje licitar um novo campo com grande potencial de petróleo não poderia fazê-lo devido às limitaçõe
A Petrobras precisa ser refundada, como bem frisou em artigo, na edição de ontem do GLOBO, o professor Adriano Pires, especialista no setor de energia. A empresa foi conduzida nos últimos anos mais como o braço de execução de uma série de políticas governamentais do que como uma companhia cuja função principal é produzir hidrocarbonetos e seus derivados, de maneira econômica e financeiramente sustentáveis e estimulada pela existência de um razoável mercado consumidor no país. É evidente que qualquer investidor que adquire ações da Petrobras tem ciência de que não será sócio de uma empresa privada. Por sua natureza estatal, a Petrobras sempre estará alinhada a objetivos das politicas traçadas por seu controlador. No entanto, cabe ao Estado, como sócio majoritário, se ater a certos limites, que respeitem os direitos dos minoritários.
Não foi o que aconteceu a partir do primeiro governo Lula, em especial depois da decisão de se mudar o modelo de exploração e produção após a descoberta de grandes reservatórios na camada do pré-sal. Enebriado pela possibilidade de ter encontrado uma “nova Venezuela” nas águas ultraprofundas da Bacia de Santos, o governo Lula cometeu o equívoco de achar que não havia risco e nem qualquer outro obstáculo financeiro para explorar essa promissora fronteira petrolífera.
Em vez de adaptar o modelo de concessões, já bem-sucedido, resolveu mudar tudo, optando pela partilha de produção. Mas estabelecendo exigências que feriam a racionalidade econômica, como, por exemplo, tornar a Petrobras operadora única dos futuros blocos, e com participação obrigatória mínima de 30% nos consórcios. Além de de usá-la num programa de substituição de importações de estilo geiselista. Esse modelo considera que a Petrobras tem capacidade financeira, gerencial e tecnológica infinita. Mas na prática o que vemos hoje são sérias restrições orçamentárias da estatal. Se o governo quisesse amanhã promover a licitação de qualquer outra área no pré-sal esbarraria na impossibilidade de a Petrobras assumir mais compromissos tão vultosos. Isso não faz sentido, porque amarra o desenvolvimento da indústria petrolífera do país como um todo.
A crise em que a Petrobras está mergulhada, a partir da descoberta de grande esquema de corrupção dentro da empresa, com suas cotações derretendo nas bolsas, — embora seja uma companhias com expressivo potencial de crescimento de reservas — obriga o governo a fazer uma reflexão sobre erros cometidos, como essas exigências do modelo de partilha de produção de futuros blocos no pré-sal. Não há dúvida que a Petrobras continuará sendo a principal protagonista do pré-sal, pelos campos que já tem em produção ou em desenvolvimento. Mas pode perfeitamente permanecer exercer esse papel sem a obrigatoriedade de ser operadora única e uma participação mínima nos consórcios de investidores. São condições que deveriam ser objeto de negociação com seus parceiros em cada nova licitação.
Brasil 24/7

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