Jornal GGN - Segundo matéria publicada hoje na Folha, uma comissão interna da Petrobras teria punido Venina Velosa da Fonseca, Paulo Barusco Filho, Glauco Legatti, Paulo Roberto Costa e Renato Duque, por terem denunciado o sobrepreço em uma das obras da Refinaria Abreu e Lima.

Com exceção de Venina - que ainda não foi indiciada - todos os demais funcionários mencionados estão no centro das operações de corrupção da Petrobras.

Venina foi a principal operadora da maioria das licitações da Abreu e Lima.


da Folha

Escândalo na Petrobras

Denunciante foi punida por obter desconto

Venina Velosa foi responsabilizada por comissão interna após levar estatal a economizar R$ 34,2 mi num contrato

Comissão alegou que contrato não poderia ter sido alterado e culpou Venina, Paulo Roberto Costa e Renato Duque

ESTELITA HASS CARAZZAI DE CURITIBA FLÁVIO FERREIRA ENVIADO A CURITIBA

A funcionária da Petrobras que alertou a atual diretoria da estatal sobre desvios foi responsabilizada, em apuração interna, por negociar descontos com uma empresa após a licitação de um contrato da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

A estatal conseguiu uma economia de R$ 34,2 milhões no contrato --porém o procedimento foi considerado "não usual e contrário aos padrões e normativas internas", segundo a comissão de apuração que analisou o caso.

Venina Velosa da Fonseca, que era gerente da área de Abastecimento e conduziu a maioria das licitações na refinaria de Abreu e Lima, manifestou em e-mail sua preocupação com a construção da casa de força: a obra foi contratada por R$ 966 milhões, valor 272% acima do inicialmente previsto pela estatal.

"Os desvios [com relação ao orçamento inicial] são grandes e isso me preocupa muito", disse Venina em um e-mail de setembro de 2009.

Ela era subordinada a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, hoje em prisão domiciliar e acusado de desvios na estatal.

Após o alerta, a Petrobras negociou com a vencedora da licitação, a Alusa Engenharia, e obteve descontos de R$ 34,2 milhões no contrato. A tratativa foi feita por Pedro Barusco Filho, também ex-gerente da Petrobras e hoje delator na Lava Jato, e Glauco Legatti, gerente de implementação da refinaria.

Para a comissão, o contrato não poderia ter sido modificado após sua assinatura. Além de Venina foram responsabilizados Barusco, Legatti, Paulo Roberto Costa e Renato Duque (então diretor de Serviços).

A comissão apontou que, dos R$ 34,2 milhões do desconto, só R$ 9,2 milhões foram efetivamente aplicados, "apesar de terem sido atendidas as condições necessárias à sua aplicação integral".

Venina ainda foi responsabilizada por outras três irregularidades nas licitações da refinaria Abreu e Lima: a falta de comunicação sobre o desmembramento de uma licitação, a ausência de novos participantes em uma concorrência que foi relançada e a falta de parecer jurídico em quatro processos.

Em e-mails incluídos no relatório, Venina disse que passava por "um grande conflito de valores" por ser forçada a agir "contra as normas e o código de ética". Ela afirma que "não conseguiu criatividade" para agir dessa forma: "Não consegui aceitar".

A Petrobras informou em nota na semana passada que considera "relevantes" as irregularidades contra Venina, e questionou o comportamento da funcionária ao acusar a atual diretoria da estatal de saber das denúncias.

"A empregada guardou estranhamente por cerca de cinco anos o material e hoje possivelmente o traz a público pelo fato de ter sido responsabilizada."

Na nota da semana passada, a estatal afirmou que "tomou todas as providências" para elucidar as suspeitas sobre a Abreu e Lima, e que o resultado da comissão foi enviado às autoridades "para as medidas pertinentes".

Procurada nesta segunda pela Folha, a assessoria da Petrobras afirmou que a companhia petrolífera não iria se manifestar sobre o pedido de desconto feito por Venina e o conteúdo do relatório.




GGN



Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads