Por Altamiro Borges

O oligárquico "Estadão" sempre teve alvos políticos bem definidos. No passado, o jornal participou ativamente das campanhas golpistas contra Getúlio Vargas e João Goulart. Na fase mais recente, ele concentrou as suas energias contra Lula e Dilma, numa cruzada histérica para desgastar o chamado "lulopetismo". O prefeito da capital paulista, Fernando Haddad, também é motivo de editoriais quase diários, que beiram a insanidade. Já o ex-ministro José Dirceu, apesar de ser condenado no midiático julgamento do "mensalão", nunca deixou as páginas do diário. O ódio ao líder petista, encarado como estrategista da vitória de Lula em 2002, é doentio. Nesta terça-feira (22), o decadente jornal voltou a atacá-lo, numa matéria carregada de intrigas - intitulada "Dirceu retoma articulação política para tentar recuperar poderes dentro do PT".


Segundo a "reporcagem", assinada por Vera Rosa e Wilson Tosta, o ex-ministro, que cumpre prisão domiciliar, "já recebeu cerca de 30 pessoas, entre parlamentares e dirigentes da legenda, em sua casa em Brasília". Para a famiglia Mesquita, o "condenado" não deveria ter direito nem a conversar ou a receber solidariedade; talvez devesse ser sumariamente fuzilado. A matéria, numa visão conspirativa, também insinua que as tais "conversas são repletas de críticas à gestão Dilma Rousseff" e que Dirceu estaria "disposto a medir forças dentro do PT". O Estadão afirma, sem apresentar qualquer prova, que "os movimentos do petista têm o objetivo de articular a formação de um novo campo político no PT, que pode culminar em seu afastamento da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no partido".


O jornal também fustiga do "Blog de Zé Dirceu", que é mantido por sua antiga equipe e por inúmeros colaboradores. A famiglia Mesquita, metida a paladina da "liberdade de expressão", talvez queira censurar a página na internet. Segundo a matéria, "Dirceu publicou em seu blog um texto criticando as recentes medidas econômicas do governo". O texto é carregado de intrigas e visa estimular a cizânia. Em um dos trechos, afirma que "Dirceu está ressentido com a cúpula do PT, porque se sentiu abandonado durante o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF)". Em outro, compara o petista a senadora Marta Suplicy, que recentemente fez duras críticas ao partido.


Diante de tantas especulações maldosas, a equipe do blog divulgou nesta terça-feira uma nota de repúdio ao Estadão, que reproduzo abaixo:


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Em relação à reportagem “Dirceu retoma articulação política para tentar recuperar poderes dentro do PT”, publicada hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo, esta equipe que faz o seu blog informa que o ex-ministro não está exercendo nenhuma atividade político-partidária, não participa da direção e nem da vida política interna do PT.
Informa, ainda, que o jornal não ouviu Dirceu antes de publicar a reportagem. A equipe que edita o blog reitera que o ex-ministro está totalmente dedicado a cumprir a sentença que lhe foi imposta pela Justiça e a refazer sua vida familiar e profissional. Como tem direito qualquer cidadão, ele recebe visitas de amigos e companheiros de décadas de militância e luta.
São visitas de solidariedade e apoio. Nelas discute sua situação de condenado injustamente; a situação política do país; e evidentemente o PT, partido a que dedicou a vida, e o governo ao qual apoia.
O ex-ministro costuma dizer que não tem nenhuma razão para ter qualquer tipo de ressentimento contra o PT e seus dirigentes. Por nada. Muito menos pela Ação Penal 470, o processo que tramitou no judiciário. Julga-se, aliás, devedor ao PT e à sua militância pela solidariedade que lhe prestaram.
Dirceu exerce como cidadão e militante do PT o direito democrático à crítica. E o faz de forma pública, nunca desleal ou covarde. Todos que o conhecem sabem que ele está e estará sempre, dentro de suas possibilidades, na linha de frente da defesa do PT e de seu governo.


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Altamiro Borges

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