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Eleições no Chile
Esquerda chilena é destaque das eleições e governo Bachelet leva vantagem para o segundo turno
por Maíra Vasconcelos
Especial para o Jornal GGN
A direita chilena de Sebastián Piñera, Chile Vamos, ganhou mas perdeu e o grande destaque das eleições foi Beatriz Sánchez, da Frente Ampla (FA). Bastante prejudicada pelas últimas pesquisas, que lhe davam entre 12% e 14% dos votos, a líder da fórmula de esquerda terminou com 20,28% e disputou voto a voto o segundo lugar com o candidato de centro-esquerda, do atual governo de Michelle Bachelet, Alejandro Guillier, da Nova Maioria.
Com o resultado muito próximo do segundo colocado, Sánchez foi considerada a grande vitoriosa do primeiro turno. Também na votação para deputados e senadores, a FA aumentou consideravelmente o número de cadeiras no Congresso, saindo de três para 20 deputados e um senador.
Garantido para o segundo turno com 36, 64% dos votos, Piñera e sua equipe de campanha não esperavam por tamanha indecisão no segundo turno e a possibilidade de não chegar ao Palacio de La Moneda. Alejandro Guillier alcançou 22,68% dos votos, ainda que seja a pior votação da história da centro-esquerda, o candidato chega com grandes chances de vencer a decisão em 17 de dezembro.
Isso porque eleitores de outros partidos, como o Democratas Cristãos (DC), da candidata Carolina Goic, com 5,88% dos votos, estacionada no quinto lugar, seriam simpatizantes da centro-esquerda e podem migrar para votar a Guillier, o que lhe garante hoje vantagem sobre Piñera. Tendo ainda boa parte dos votos de Sánchez, que possivelmente migrem em sua maioria para votar ao candidato de Bachelet. Nestas eleições, o DC se dividiu, abandonou a fórmula Nova Maioria e lançou candidato próprio.
E para a centro-direita, o mais certo são os votos do ultradireitista e pró-Pinochet, José Antonio Kast, que já declarou apoio a Piñera, teve 7,98% dos votos e ficou em quarto lugar. Kast não teme o discurso extremo e em alguma de suas tantas declarações nesse tom, ponderou, “com Pinochet teríamos tomado um chazinho no La Moneda”. Em relação à sua primeira eleição, em 2009, quando foi eleito no segundo turno, Piñera ontem computou 700 mil votos a menos, se comparado com o primeiro turno daquela votação.
A esquerda é considerada vencedora e uma surpresa nas eleições chilenas, neste primeiro turno. A coalizão recém-formada para competir nestas eleições, Frente Ampla, e que apenas em março deste ano anunciou oficialmente sua candidata, surpreendeu até os mais experientes analistas e confrontou a mídia impressa chilena, de direita, que apostou na vitória com folga de Sebastián Piñera, assim como fazia sua equipe campanha. E parece que surpreendeu também parte da mídia impressa no Brasil, que esteve a fazer coro desde o comitê de Piñera.
Câmara dos Deputados e Senado
A coalizão de esquerda, Frente Ampla, passou a representar 13% da Câmara e figura como a terceira força política no Congresso, ao eleger 20 deputados e um senador. Chile Vamos, de Sebastián Piñera, obteve 73 deputados e 12 senadores, e a Nova Maioria, a centro-esquerda de Alejandro Guillier, elegeu 57 deputados, perdeu três cadeiras na Casa, e 21 senadores, dois a mais que a eleição anterior.
GGN

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