Afirmação parece superdimensionada em relação a importância dos dois países para a geopolítica mundial, mas cada um a sua maneira está no centro da “terceira guerra” mundial, a guerra do dólar

Publicado por Fernando Rosa
Muitos ainda subestimam o papel dos EUA e seus interesses nas manifestações de 2013 e no golpe de Estado  MIDIA NINJA


Blog Senhor X – O Irã é o Brasil da vez. A afirmação pode estar superdimensionada em relação a importância dos dois países para a geopolítica mundial mas, cada um a sua maneira, está no centro da “terceira guerra” mundial, a guerra do dólar.

O ato terrorista patrocinado pelos EUA contra Qassem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária Iraniana, por ordem de Donald Trump, pode ter variados motivos, mas os exercícios navais conjuntos do Irã com a China e Russia, no golfo de Omã, foram o estopim da agressão norte-americana.

Os exercícios ocorreram entre os dias 27 e 30 de dezembro no norte do oceano Índico, com presença de forte e exemplar aparato militar dos três países. O objetivo das manobras, segundo o vice-comandante do Exército do Irã, Habibollah Sayyari, ao portal Sputnik, era “demonstrar a autoridade marítima do Irã no norte do oceano Índico e apresentar a sua experiência a outras nações”.

No Brasil, o estopim que resultou no golpe de Estado e na destruição da economia, foi a oficialização da criação do banco do Brics, durante a sexta cúpula do bloco, em Fortaleza, no Ceará, em 15 de julho de 2014. Na época, os membros do bloco – Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul – definiam como principal objetivo do banco o financiamento de projetos de infraestrutura e desenvolvimento em países pobres e emergentes. Ou seja, a consolidação de um mega mercado à margem do dólar, que colocava em risco a hegemonia da moeda norte-americana no mundo.

Dilma recebeu 17 chefes de Estado ou governo na cúpula dos Brics, em 2014 (José Cruz/Agência Brasil)

A diferença é que o Irã, submetido a um brutal bloqueio econômico por parte dos Estados Unidos, mas com um poder político e militar fiel ao seu país e seu povo, enfrenta o imperialismo norte-americano e promove as necessárias alianças para resistir aos ataques.

“O Irã está presente em muitos projetos políticos e econômicos realizados por países como a Rússia e a China. Desta forma, não é de surpreender que a cooperação econômica, e em outros projetos, também traga consigo a cooperação militar”, disse o especialista militar e ex-oficial da Marinha russa, Vasily Dandykin, também ao Sputnik.

Em nosso caso, o Estado brasileiro, em todas suas dimensões, não apenas foi incapaz de perceber e de reagir ao golpe de Estado, como parte de sua elite econômica, política e militar traiu os interesses nacionais e se mantém servil e covardemente apoiando o governo vende-Pátria de Jair Bolsonaro. Mais grave ainda, avalizou, estimulou e/ou patrocinou a Operação Lava Jato, com Sergio Moro à frente, que destruiu a indústria da construção e a cadeia produtiva do petróleo, abrindo o mercado para as empresas estrangeiras, em especial norte-americanas.

A declaração de guerra dos Estados Unidos ao Irã e, por tabela, à China e à Russia, contém ensinamentos que, definitivamente, deveriam ser apreendidos pela sociedade brasileira, por sua elite econômica, política e, a exemplo do Irã, por seu Exército.

Primeiro, assumir de uma vez por todas que o mundo está metido em uma nova guerra comercial e geopolítica e que, “infelizmente”, assim como o Irã, o Brasil está no centro da disputa. Uma dificuldade que, ainda hoje, leva setores da esquerda a subestimar o papel dos Estados Unidos e seus diversos interesses nas manifestações de 2013 e no golpe de Estado. Lula não apenas está correto ao definir aquelas manifestações como o “ovo da serpente”, como sua observação aponta para a necessidade de superar a ingenuidade, a caipirice, ou coisa pior, para avançar a luta no país.

Depois, que a situação traz à tona a hipocrisia do discurso imperialista e o fracasso da presença norte-americana no Iraque, ocupado e saqueado desde a invasão que derrubou Saddam Hussein em 2003, sob o falso pretexto de destruir um inexistente arsenal de armas químicas. Aliás, a mídia internacional noticia que o governo Trump orientou seus cidadãos e, ironicamente, os executivos das petrolíferas e das empreiteiras norte-americanas a deixarem o país imediatamente.

Ainda, que a “continência” política, econômica e militar aos Estados Unidos já apresenta sinais concretos de graves prejuízos ao Brasil. A própria Rede Globo, no Jornal Nacional, já não consegue mais mentir, assumindo que estamos vivendo de exportar óleo cru, que a balança comercial de 2019 foi a pior desde 2015 e que a situação da indústria nacional vai piorar.

O assassinato do general iraniano, nos primeiros dias do ano novo, mostra o grau de violência e de insegurança que neoliberalismo pretende impor ao mundo para tentar safar-se de sua profunda crise.

Ao Brasil cabe, definitivamente, assumir sua condição de Nação, compreender seu papel no mundo e impedir que a selvageria neoliberal transforme o País e o povo brasileiro, novamente, em um “imenso canavial” – ou num grande São Paulo.



Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads