© Folhapress / Eder Chiodetto

As eleições municipais atraem a atenção de diversos parlamentares que tentam se eleger prefeitos ou eleger aliados que servirão como cabos eleitorais nas eleições de 2022.

Considerada termômetro da avaliação dos governos, a eleição municipal de 2020 poderá acirrar os ânimos entre direita e esquerda. Lula e Bolsonaro continuarão a ser os principais fatores de polarização em 2020?

Para Paulo Baía, sociólogo, cientista político, professor da UFRJ, a grande disputa será essa mesmo.
"A sociedade brasileira está fraturada. Identificamos dois polos importantes na luta política: Lula e Jair Bolsonaro. Esses dois são os principais nomes que temos já em campanha para 2022", afirmou o entrevistado para Sputnik Brasil.

"A esquerda saiu derrotada da eleição de 2018. Mas o PT conseguiu uma bancada [parlamentar] razoável. Elegeu governadores do Nordeste e foi ao segundo turno [das eleições presidenciais]", ponderou o acadêmico.

Bolsonaro, por outro lado, não é mais uma novidade no cenário nacional e "se consolida no governo ao criar um novo partido".

Baía destacou que a avaliação do atual governo está sendo boa para quase um terço do eleitorado. Mesmo com 25% de aprovação, o presidente Bolsonaro deve seguir para um eventual segundo turno, destacou o cientista.

Por outro lado, o interlocutor da agência lembrou que Lula segue inelegível, por questões jurídicas. Por isso, "muita coisa vai depender do PT" e da configuração que o partido escolher para o pleito. A sigla vai precisar inovar para driblar a forte rejeição contra o partido.

Para o analista, no entanto, a esperança de diversificação está nos partidos clássicos como o PSDB e o MDB, que tentarão se reinventar no próximo ano para atrair mais votos.
"Nos temos um campo de experimentações em 2020. O resultado das eleições de 2020 já é um espelho do que vai acontecer em 2022", ponderou Baía.

Apesar da polarização, uma demanda muito forte tem se apresentado para uma figura alternativa, de modo a escapar do dualismo estabelecido. Infelizmente, segundo o professor, nenhum nome parece forte o suficiente para superar a fase do "lavajatismo".

Antônio Marcelo Jackson, cientista político, professor da Universidade Federal de Ouro Preto, aponta para um outro fator da vida política brasileira. Segundo ele, Bolsonaro e seus aliados seguem em campanha mesmo após as eleições.
"Eles tem projeto para o país? Agir em campanha permanente levanta questão sobre a existência de um projeto para o país".

Essa postura não contribui para alterar o quadro partidário atual.
"Em termos de número de deputados o maior partido é o PT. Tem pouco menos de 60 deputados. O PSL, o ex-partido de Bolsonaro esfacelou. Os antigos grandes partidos, como PSDB e DEM, se transformaram em partidos nanicos", alegou o entrevistado.

Por outro lado, o professor apontou para uma "renovação brutal na Câmara dos Deputados" desde a última eleição.
"A maioria dos deputados tem pouquíssima experiência política e partidária, dando aulas de ingenuidade e despreparo para atuar na Câmara", lamentou.

Assim, para ele, os partidos existem hoje em dia para receber Fundo Partidário.

Para Jackson, o eleitor tem demonstrado o descontentamento com essa situação. Por isso, o cientista político acredita que a população acabará escolhendo partidos mais consagrados no próximo pleito, diminuindo um pouco a pulverização partidária, contribuindo assim para manter a polarização entre a direita e a esquerda.



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