Em entrevista ao podcast Jabuticaba sem Caroço, da Sputnik Brasil, analistas apontam que no pleito deste ano há boas chances da oposição usar o episódio na Venezuela para incutir no eleitor o medo de que uma reeleição de Lula leve à uma agressão dos EUA ao Brasil.
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| Manifestantes protestam contra a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas no fim de semana, no Rio de Janeiro. Brasil, 5 de janeiro de 2026 |
Após posicionar uma grande frota marítima nos mares ao redor da Venezuela, e "testar as águas" com ataques injustificados à embarcações em águas internacionais, no dia 3 de janeiro os Estados Unidos realizaram um ataque à capital venezuelana de Caracas, no qual sequestraram o presidente, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.
Sob argumentos de combate ao narcotráfico e restaurar a democracia no país, a Casa Branca tampouco escondeu a sua verdadeira motivação, a retomada do controle norte-americano sobre o de petróleo venezuelano, estatizado em 2007 pelo então presidente Hugo Chávez (1999-2013).
O episódio movimentou a política brasileira nas tradicionais linhas político-partidárias. Partidos e movimentos de esquerda se posicionaram ao lado do governo de Maduro. De maneira institucional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rechaçou duramente o ataque classificando como uma "afronta gravíssima" à soberania de uma nação e "um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".
Já os principais cotados como presidenciáveis pela oposição – Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Ratinho Jr (PSD) – exaltaram a ação como uma suposta restauração da democracia no país.
Para Luiz Javier Ruiz, analista internacional e cientista político venezuelano, a agressão sofrida pela Venezuela será utilizada pela oposição nas eleições brasileiras para "aterrorizar a população", ao argumentarem que se Lula for reeleito, o Brasil pode ter o mesmo destino de Caracas.
"Dentro das campanhas eleitorais também se joga com a contrapropaganda, se joga com o medo [...]. O tipo de medo que permite que seu voto seja condicionado, tentando evitar que o que aconteceu na Venezuela também se repita no Brasil", afirmou Ruiz ao Jabuticaba Sem Caroço, podcast da Sputnik Brasil.
Ele lembra que essa tática de aproximar o destino das duas nações foi utilizada, sem sucesso, em eleições passadas e, portanto, não é possível dizer que surtirá efeito. Até porque, diz, um ataque ao Brasil seria um "escândalo internacional de maiores proporções" do que o caso venezuelano.
"Não somente por sua extensão geográfica e o caráter de potência emergente que tem o Brasil na América do Sul, mas porque também é membro dos BRICS."
Ao programa, Vitor Stuart de Pieri, professor do Departamento de Geografia Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explica que a questão venezuelana não é vista pelo eleitorado brasileiro como um tema de política externa, mas sim como algo que pode influenciar a economia doméstica e o bem-estar do país.
Para o eleitor conservador, assusta a conivência ideológica de Lula com a Venezuela , enquanto o progressista, sejam apoiadores ou críticos de Maduro, há a rejeição da ideia de intervenção militar estrangeira.
"A Venezuela entra indiretamente como uma narrativa de medo ou de advertência, mas quem vai decidir no final é a economia, é o bem-estar da população."
"Então, a diplomacia do Lula não será julgada pela questão da Venezuela, mas pela capacidade de manter o Brasil fora de guerras, de crises migratórias e de sanções. O Lula, trazendo esse debate mais equilibrado, vai conquistar o eleitor médio. O eleitor médio hoje quer estabilidade, ele não quer alinhamento ideológico."
Publicado originalmente por: Sputnik News Brasil

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