A submissão da pasta do meio ambiente à agricultura tem colocado as árvores em alvoroço. É um zum zum só o que se houve na floresta. Ventos rebulem folhas e galhos. Insetos, pássaros e macacos espalham a notícia, a fofoca corre solta na mata, dizem que aproxima-se o movimento dos fazendeiros com terra. Temem o bando.
Apenas quem nasceu entre árvores ou aqueles que em suas sombras se abrigavam do sol, sabem dos sentimentos das plantas. Manoel de Barros, poeta de palavras de chuva, dizia que Sócrates, pai do verbo pensar, aprendeu que as folhas das árvores servem para nos ensinar a cair sem alardes.
Mesmo o senso comum afirmando que árvore não fala ou asneiras de pensamento possuem, eu confirmo sua presença dia a dia.
Hoje, manhã ensolarada de quarta-feira, seguia pela calçada apressado ao trabalho em São Paulo, quando uma velha árvore no caminho, a que toda manhã dou bom dia, me surpreendeu com apelos, como se carregasse cartazes em protesto solitário na rua, imóvel. Me detenho por alguns minutos e a observo. Me comove atitude poética de cidadão anônimo na cidade pavimentada, a vestir velha senhora com apelos e mensagens.

Máquinas estranhas, engenhocas modernas reviram a terra onde por milhões de anos seres se aprimoram em fértil convivência. Formigas, lagartas, fungos, parasitas, serpentes, onças lindas, pacíficas antas. Hoje todos temem o que virá na onda de desenvolvimento que inunda a nação, pervertidas fusões.

Talvez não sobre pedra sobre pedra, ou me mostrem com quantos paus se faz uma canoa, mas a verdade é nua e crua, árvores não importam aos mirabolantes.
*imagens por Helio Carlos Mello.
Jornalistas Livres

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