Presidente cobra integração regional e alerta para retrocessos políticos, institucionais e ambientais no Fórum Econômico Internacional da América Latina

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (28) que a América Latina vive um dos momentos mais delicados de sua história recente em termos de integração regional, marcado por divisões políticas, fragilidade institucional e incapacidade de resposta coletiva a crises globais. Ao discursar na sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, no Panamá, Lula defendeu que os líderes da região assumam o protagonismo de um debate estratégico voltado aos interesses comuns dos países latino-americanos.

Em discurso proferido no evento, Lula recordou o simbolismo histórico do Panamá, onde há 200 anos ocorreu o Congresso que reuniu jovens nações recém-independentes da América Latina. Segundo o presidente, aquele encontro lançou bases conceituais que mais tarde influenciariam o direito internacional e a própria Carta das Nações Unidas, ao consagrar princípios como a manutenção da paz, a solução pacífica de controvérsias, a igualdade jurídica entre os Estados e a garantia da integridade territorial.

Ao avaliar o legado daquele momento histórico, Lula afirmou que, apesar de seu peso simbólico, as ideias formuladas no Congresso do Panamá foram insuficientes para consolidar instituições regionais duradouras. Para o presidente, dois séculos depois, a região enfrenta um cenário de retrocesso profundo. “Vivemos um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração”, afirmou.

Lula criticou diretamente o enfraquecimento de mecanismos de cooperação regional e citou a dissolução da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como exemplo de um processo interrompido pela intolerância política. Segundo ele, a incapacidade de conviver com visões distintas levou ao esvaziamento do projeto e à retomada de uma lógica de fragmentação. “Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria”, disse.

O presidente também alertou para o impacto de disputas ideológicas externas sobre a América Latina e para o avanço de fenômenos como o extremismo político e a manipulação da informação. De acordo com Lula, esses fatores passaram a fazer parte do cotidiano regional e contribuíram para o esvaziamento de encontros multilaterais. Ele observou que cúpulas regionais têm se transformado em “rituais vazios”, muitas vezes sem a presença dos principais líderes.

Nesse contexto, Lula apontou a paralisia da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), atualmente a única organização que reúne todos os países da região. Segundo o presidente, o bloqueio político é tão profundo que o bloco não consegue sequer produzir uma declaração conjunta contra “intervenções ilegais que abalam nossa região”.

O presidente destacou ainda a falta de coordenação regional diante de desafios sistêmicos recentes. Ele mencionou a pandemia de Covid-19 como exemplo de uma crise enfrentada de forma fragmentada, sem respostas articuladas entre os países. Lula também afirmou que os avanços no combate ao crime organizado têm sido lentos e que a resposta ao aquecimento global continua carecendo de uma ação coletiva mais robusta e efetiva.

Ao encerrar sua fala, Lula reforçou que os governantes latino-americanos não podem desperdiçar oportunidades de diálogo estratégico e cooperação, sob pena de aprofundar a vulnerabilidade da região em um cenário internacional cada vez mais instável.

 Publicado originalmente por: Brasil 247

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