Foto: Lula Marques/PT
Jornal GGN – O jornalista Reinaldo Azevedo revelou na noite desta sexta (26), em parceria com o Intercept Brasil, que o procurador Deltan Dallagnol participou de uma reunião “privada” na XP Investimentos, para um “público seleto”, e o tema do encontro era Lava Jato e as eleições. O ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Fux, participou de encontro semelhante antes.
Segundo Azevedo, a assessora da XP que fez o convite a Deltan, uma analista política e de investimentos, é ex-assessora de comunicação de Edson Fachin. Seu marido é Eduardo Pelella, ex-número 2 do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.
Depois da palestra secreta de Deltan – havia o compromisso de não deixar a reunião ser publicada na imprensa – a assessora passou a abordar o procurador fazendo perguntas sobre a Lava Jato.
Em uma questões – que Deltan não respondeu – a assessora fala da nomeação de Luiz Antonio Bonat para substituir Sergio Moro nos processos da Lava Jato em Curitiba. Debora Santos queria saber se havia intimidade entre a força-tarefa e o magistrado.
“Oi Deltan. Tudo bom. Em off, quais as impressões de vcs sobre o novo juiz da LJ? Pode embarreirar os trabalhos? Vcs já se conheciam?”
Deltan respondeu apenas uma questão anterior, cuja resposta era pública, sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal de proibir as conduções coercitivas. O procurador respondeu que já havia postado sobre isso no Twitter.
O convite para a palestra ocorreu em 17 de maio de 2018. O público seleto era “11 tesoureiros dos grandes bancos brasileiros e internacionais.”
O papo tinha que ser confidencial, o ambiente seria controlado para deixar o convidado à vontade para dar sua opinião e revelar outras informações, comentou Azevedo.
Os ministro Luis Roberto Barroso e Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal, foram convidados para evento do tipo, mas não compareceram.
Dallagnol foi ao evento e levou um representante da Transparência Internacional.
Fux não quis fornecer detalhes.
PALESTRA PARA INVESTIGADA
Na manhã desta sexta (26), o Intercept revelou que Deltan Dallagnol ganhou R$ 33 mil (R$ 23 mil “líquido”) para fazer uma palestra para a empresa Neoway, que é investigada na Lava Jato em processo envolvendo a BR Distribuidora e o lobista e delator Jorge Luz. O fato fez com que o procurador se afastasse do processo e notificasse o Conselho Nacional do Ministério Público, mas anos depois da delação – e somente 5 dias antes de o Intercept começar a divulgar as mensagens de Telegram.
GGN

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