Bandidos paraguaios vão dedurar Bolsonaro?
Por Altamiro Borges, em seu blog
A criminosa negociata sobre a energia de Itaipu feita por integrantes do governo paraguaio e uma empresa brasileira, a Léros, segue gerando forte tensão na nação vizinha.
Num primeiro momento, o presidente Abdo Benítez, um dos maiores ricaços do país, jurou que desconhecia os termos do acordo – que causaria um rombo de mais de 200 milhões de dólares aos cofres públicos.
A mentira, porém, não durou muito tempo.
Nesta semana, o jornal ABC Color divulgou a troca de mensagens entre o ultradireitista – admirador do ditador Alfredo Stroessner – e dirigentes do setor.
Em várias delas, Abdo Benítez orienta o então diretor da agência energética (Ande), Pedro Ferreira, a assinar o acordo e afirma, explicitamente, que estaria sofrendo pressão do governo brasileiro.
“Teremos que negociar. E, ao negociar, sacrificam-se posições e algumas vezes princípios, mas é a responsabilidade que temos hoje. Não creia que faço tudo o que quero. Todos os dias tenho que digerir bebidas amargas”, escreveu o vende-pátria.
Em outra, o presidente ordena Pedro Ferreira, que manifestou temores sobre o acordo secreto e lesivo, a “manter o silêncio e não polemizar”.
Assinado em 24 de maio, o acordo foi cancelado visando evitar o impeachment do presidente, já chamado em protestos de rua de “traidor da pátria”.
Mas o vazamento das mensagens pode melar os conchavos políticos e resultar na prisão dos chefetes da sujeira.
Neste cenário, novas denúncias poderão vir à tona, ajudando inclusive a esclarecer o envolvimento do laranjal de Jair Bolsonaro.
Em várias mensagens vazadas, autoridades paraguaias fazem menções explícitas aos interesses da “família presidencial” de Jair Bolsonaro nas negociatas.
Além disso, o lobista Alexandre Giordano, que é suplente do senador Major Olímpio, do PSL – o Partido Só de Laranjas – esteve diretamente envolvido na tramoia, apresentando-se como representante da Léros e do clã Bolsonaro.
Como aponta a jornalista Tereza Cruvinel, o escândalo suscita dúvidas.
“Em toda esta lambança, pelo menos uma coisa exige esclarecimento cabal: qual é a relação entre a família Bolsonaro e a empresa comercializadora Léros? Pois quando falam dela, nas mensagens vazadas, as autoridades paraguaias se referem claramente a ligações com a ‘família presidencial’”.
Na quarta-feira (7), o PT solicitou à Procuradoria Geral da República (PGR) a imediata abertura de investigação sobre Jair Bolsonaro, o chanceler Ernesto Araújo e o presidente brasileiro de Itaipu, general Silva e Luna.
A imprensa nativa – que adorava falar do Paraguai quando o país era presidido pelo “bispo dos pobres” Fernando Lugo, deposto em um golpe parlamentar-judicial-midiático em 2012 – agora evita falar sobre o escândalo e sobre o envolvimento da “família presidencial”.
Viomundo

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;