O presidente provocou aglomerações por onde passou. Reprodução de vídeo


O presidente Jair Bolsonaro fez várias declarações desastrosas do ponto-de-vista da Saúde pública durante as últimas semanas.

O Brasil teve o primeiro caso confirmado no dia 26 de fevereiro, em São Paulo.

Em 10 de março, a uma plateia de empresários em Miami, na Flórida, o mandatário disse que estávamos diante de “uma pequena crise” e que o coronavírus era mais uma “fantasia” propagada pela “grande mídia”.

Um dia depois a OMS disse tratar-se de uma pandemia. Já havia 827 mortes oficialmente contabilizadas na Itália.

Ao voltar daquela viagem, a “fantasia” visitou o palácio do Planalto: o secretário de comunicação Fábio Wanjgarten testou positivo para o vírus. Mais de 20 integrantes da delegação de Bolsonaro também deram positivo.

No dia 17 de março foi confirmada a primeira morte por coronavírus no Brasil, em São Paulo.

Naquele dia, Bolsonaro comentou com apoiadores, diante do Palácio do Planalto: “Agora a Itália é uma cidade… é um país parecido com o bairro de Copacabana, onde cada apartamento tem um velhinho ou um casal de velhinhos. Então são muito mais sensíveis, morre mais gente”.

Naquele dia a Itália atingiu 2.503 mortes por coronavírus.

Os Estados Unidos, que não são “Copacabana”, chegaram a 110 mortes, com indícios de que a curva poderia explodir em seguida.

Na noite de 20 de março, no programa do Ratinho, do SBT, Bolsonaro disse que era um absurdo fechar shoppings e igrejas em resposta à pandemia.

“O que eu vejo no Brasil, não são todos, mas muita gente, para dar uma satisfação para o seu eleitorado, toma providências absurdas… fechando shoppings, tem gente que quer fechar igreja, o último refúgio das pessoas”, afirmou.

Naquele dia, a Itália já tinha atingido 4.032 mortes. Nos Estados Unidos, com 255 mortes, a pandemia começava a acelerar.

No dia 22 de março, em entrevista à Record TV, Bolsonaro voltou a minimizar a pandemia.

Ele lembrou que o H1N1 tinha matado cerca de 800 pessoas em 2019 e disse que o coronavírus não atingiria a mesma dimensão.

O Brasil atingiu 1.068 mortes em 10 de abril, menos de três semanas depois da declaração, demonstrando a incapacidade do presidente de lidar com pensamento abstrato — uma exigência para quem pretende interpretar projeções baseadas em dados comparativos.

No dia 24 de março, Bolsonaro fez sua primeira aparição em rede nacional de TV.

Ele criticou o fechamento das escolas, dizendo que não havia motivo para manter as crianças em casa se o risco era maior para pessoas de 60 anos.

Bolsonaro deu sinais de não ter entendido o conceito de transmissão assintomática — pessoas que não exibem sintomas podem transmitir o coronavírus.

Assim, crianças assintomáticas, em contato com outras nas escolas, podem disseminar o vírus entre si e depois trazer de volta para casa, onde estão os pais, idosos e parentes dos grupos de risco.

Em Nova York, por precaução, o prefeito Bill de Blasio já anunciou o fim antecipado do ano letivo no maior sistema escolar dos Estados Unidos — só volta a funcionar depois das férias de verão, em setembro.

Em 24 de março, dia do discurso de Bolsonaro, o Brasil já tinha 46 mortes por coronavírus, a Itália 6.820 e o mundo, 18.895 mortes.

Dois dias depois, ele voltou a fazer pouco caso do coronavírus:

“Eu acho que não vai chegar a esse ponto [dos EUA]. Até porque o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada. Você vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha, tá certo? E não acontece nada com ele. Eu acho até que muita gente já foi infectada no Brasil, há poucas semanas ou meses, e ele já tem anticorpos que ajuda a não proliferar isso daí”, disse.

Os Estados Unidos atingiram 1.028 mortes em 25 de março, 25 dias depois da primeira.

O Brasil atingiu 1.068 mortes em 10 de abril, 24 dias depois da primeira.

Com uma diferença nada desprezível: diferentemente do Brasil até agora, os Estados Unidos estão fazendo testagem em massa.



Viomundo


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