É evidente que diante de Jair Bolsonaro, restou-nos apoiar o mínimo de sanidade mental que apresenta o sr. Luís Henrique Mandetta.
E assim seguiremos fazendo, porque a alternativa é entregar a saúde pública a carniceiros.
Isso, porém, não pode nos impedir de dizer que o Brasil está completamente às cegas nesta luta.
Por uma razão muito simples: o país passou a considerar casos de coronavírus apenas os confirmados por testes, ao contrário do que fez até o dia 20 de março, quando divulgava os “casos suspeitos” que eram, então, 11 mil. Os confirmados em laboratório, apenas 904.
Operou-se, ali, a redução de 90% do total, o que facilmente se pode provar ser uma, no mínimo, “inocência estatística”.
Como?
No último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, o número de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), na comparação com os números de 2019, quando não havia o Covid 19, nas semanas epidemiológicas de 1 a 9 (aproximadamente janeiro e fevereiro) cresceram 17%, passando de 3.770 casos para 4.412.
Mantida esta média de crescimento – que nada tem de anormal, pois pode ser provocada por uma série de fatores – os resultados das duas semanas finais de março (as de número 12 e 13), deveriam ter atingido, respectivamente, um valor próximo a 1241 (17% a mais que os 1.061 de 2019) na semana 12, e 1.314 casos, com a mesma ampliação, frente aos 1.123 casos da semana 13 de 2019.
Mas não foi assim.
As semanas 12 e 13, somadas, passaram de 2.184 casos em 2019 para nada menos que 15.309! Um aumento 601% contra o que, na média das nove primeiras semanas, foi de apenas 17%.
É claro que, em meio a um pandemia de proporções inauditas no mundo, nossos epidemiologistas sabem que isso não se deve à febre do feno, ou ao pólen das flores ou a alguém ter tomado chuva.
Mas o MS só atribui 1.295 dos 12.714 casos excedentes – mesmo considerando a média de aumentos registrada nas nove semanas iniciais do ano, na média – deixando na conta de “outras razões” mais de 11 mil casos de internação, que ficam inexplicados.
Estranhamente, na hora de considerar o percentual de internações por Covid-19, o Boletim do MS diz que a isso se devem apenas 7% dos casos, o que não explica, nem de longe, a brutal variação no número de internações, exceto pela recusa em aceitar que, ao menos so ponto de vista clínico -já que não há testes – sejam devidas ao novo coronavírus.
É isso o que mostra o que aconteceu por adotar um método que minimiza o grau de espalhamento da doença quando, ao revés, poderia ser adotada a contagem por diagnóstico clínico e, depois, expurgar-se o que os testes laboratoriais seguros descartassem.
Se foi ou não uma forma deliberada de minimizar o problema, artificialmente, não posso afirmar, é claro.
Mas se harmoniza com a tese oficial de uma “gripezinha”.
E isso é fatal para a necessidade de mobilização (ou de aceitação) social das medidas restritivas, só o que temos até agora de eficácia algo provada para aliviar o sistema de saúde e sua capacidade de dar suporte aos que tiverem a sua situação agravada.

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