"A frase acima reproduz a manchete do “Correio da Manhã” de 12 de agosto de 1937 e se refere ao que Benito Mussolini dissera no dia anterior", escreve o jornalista Alex Solnik
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| (Foto: reprodução) |
A frase acima reproduz a manchete do “Correio da Manhã” de 12 de agosto de 1937 e se refere ao que Benito Mussolini dissera no dia anterior, num comício que reuniu 100 mil pessoas, em Catânia, na Sicília:
“A pedra fundamental de nossa doutrina e de nosso espírito é a preparação cada vez mais intensa do povo italiano para a vida militar. A história mostra-nos que, quando um povo não quer sujeitar-se a utilizar-se de suas armas, acaba sendo obrigado a aceitar as imposições de qualquer outro. A história também mostra que o povo italiano não é guerreiro, mas que não tem outra alternativa senão a miséria e a escravidão”.
Na reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro disse:
“Eu quero todo mundo armado. Que povo armado jamais será escravizado”.
Não sei se ele copiou a frase de Mussolini porque a leu ou porque a ouviu de alguém, mas não há dúvida que não se trata de mera coincidência: ele pensa a mesma coisa que o criador do fascismo.
O fascismo inspirou o integralismo no Brasil, com a ajuda do qual Getúlio Vargas deu o golpe do Estado Novo algumas semanas depois da frase de Mussolini, a 10 de novembro de 1937.
O integralista Olympio Mourão Filho, então capitão, foi o autor do “Plano Cohen”, fake news que deu a Getúlio o pretexto para fundar sua ditadura.
Alex Solnik
Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

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