Sérgio Moro, como o rei nu da fábula, dependia da quase unanimidade para impor a parcialidade que alguns poucos viam e apontavam.

Com pouco efeito, aliás, porque o stablishment descartava essa ressalvas como fruto de partidarismo, de “lulopetismo” para usar o linguajar desclassificante que reservavam aos críticos da Lava Jato, quando não o de aliados da corrupção.

Ao descer do altar de juiz para a política, Moro perdeu muito, mas não perdeu tudo, como agora ameaça perder.

Passou dos limites e – assim com o Deltan Dallagnol faz com o Ministério Público – está enxovalhando as instituições que comanda, como Ministro.

O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, Edvandir Paiva, foi à Folha, hoje, reclamar da intromissão de Moro nas investigações sobre os hackers de Araraquara.

(…) várias pessoas passam a questionar se o ministro está obtendo informações de investigação sigilosa e a questionar a autonomia da Polícia Federal, o que é algo muito caro para nós.

Bem, se não está, está inventando-as e, de certa forma, coagindo a polícia a referendá-las.

Edvandir, é provável, teve contato com os delegados do caso, até agora discretos. Se está dizendo isso, tudo indica que está servindo de porta-voz de quem está na linha de frente e não pode falar.

Moro está perigosamente testando limites para seu poder, como no caso da “casual” portaria sobre deportação de estrangeiros e na usurpação de poderes feita na promessa de “destruir os arquivos” feita a supostos hackeados da lista que ele diz não ter.

Mas este limites parecem ter sido ultrapassados faz tempo e Moro não percebeu que está mergulhando num labirinto em que, mesmo sem mensagens novas que lhe digam respeito, está se afundando.

E que, quando elas chegarem, já o encontrarão com a água no pescoço.


TIJOLAÇO

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