
Alguns migrantes que foram socorridos por pescadores depois do naufrágio de seu barco ao largo da cidade de Khoms, na Líbia, em 25 de julho de 2019.REUTERS/Ismail Zetouni
"As unidades do Crescente Vermelho da Líbia conseguiram resgatar 62 corpos de imigrantes", disse Abdel Moneim Abu Sbeih, alto funcionário das Nações Unidas. O número de pessoas a bordo do barco que afundou na noite de quarta a quinta-feira permanece incerto. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 145 migrantes foram resgatados, enquanto 110 continuam desaparecidos na Líbia, um país mergulhado desde 2011 no caos com lutas pelo poder e milícias.
Já a Marinha líbia evoca 134 sobreviventes e 115 desaparecidos. A ONG Médicos sem Fronteiras (MSF), na Líbia, estima que cerca de 400 pessoas estavam a bordo do barco. "Vamos continuar as operações para recuperar os corpos hoje à noite e amanhã", disse Sbeih, da ONU.
As autoridades em Khoms, uma cidade a 120 quilômetros a oeste de Trípoli e da qual partiu o barco, estão enfrentando dificuldades para enterrar os corpos resgatados, segundo uma fonte do município. Além de "problemas com os procedimentos legais", eles estão lutando para "encontrar um local para o enterro das vítimas" dessa nova tragédia.
"Precisamos de rotas seguras e legais para migrantes e refugiados, e qualquer migrante que busca uma vida melhor merece segurança e dignidade", disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, no Twitter, dizendo estar "horrorizado".
O naufrágio é um "terrível lembrete" dos riscos assumidos pelos migrantes que querem deixar a Líbia para a Europa, disse nesta sexta-feira a chefe da diplomacia europeia Federica Mogherini. "Toda vida perdida é demais", ela insistiu.
Antes do naufrágio, o Escritório do Alto Comissariado para os Refugiados e a OIM haviam informado que pelo menos 426 pessoas haviam morrido desde o começo do ano tentando atravessar o Mediterrâneo, que se tornou o mar mais mortífero do mundo.
De acordo com o porta-voz da marinha líbia, General Ayoub Kacem, o barco era "de madeira" e "foi destruído a 5 milhas náuticas da costa, de acordo com depoimentos de sobreviventes". Os migrantes resgatados são na maioria eritreus, mas há palestinos e sudaneses entre eles, disse ele em um comunicado.
Menos de duas horas depois de sair da noite de quarta-feira, o barco se encheu de água e o motor parou. "Ficamos na água por seis a sete horas", disse um dos sobreviventes, dizendo que ele havia visto quase 200 pessoas morrerem entre "homens, mulheres e crianças".
"Um homem do Sudão disse que viu sua esposa e filhos se afogando, ele estava totalmente desorientado e ficou lá em estado de choque", disse Anne-Cecilia Kjaer, enfermeira de MSF. "Muitas crianças não sabiam nadar e mesmo aquelas que sabiam morreram de exaustão", afirmou.
Esse naufrágio foi para as vítimas o último estágio de uma "viagem horrível": antes de ir para o mar ", eles cruzaram o deserto e foram capturados por traficantes", disse a enfermeira. De acordo com os dados do IOM, pelo menos 5.200 pessoas estão atualmente em centros de detenção na Líbia.
Apesar dos riscos de cruzar a Europa, os migrantes vão para o mar, preferindo tentar a sorte em vez de permanecer na Líbia, onde são submetidos a abusos, extorsão e tortura, explicam as ONGs.
RFI
Os corpos de pelo menos 62 migrantes foram resgatados nesta sexta-feira (26) na Líbia após o naufrágio no dia anterior do barco que os levava ao largo da cidade de Khoms, nesta que já é considerada a "pior" tragédia no Mar Mediterrâneo este ano, segundo a ONU.
"As unidades do Crescente Vermelho da Líbia conseguiram resgatar 62 corpos de imigrantes", disse Abdel Moneim Abu Sbeih, alto funcionário das Nações Unidas. O número de pessoas a bordo do barco que afundou na noite de quarta a quinta-feira permanece incerto. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 145 migrantes foram resgatados, enquanto 110 continuam desaparecidos na Líbia, um país mergulhado desde 2011 no caos com lutas pelo poder e milícias.
Já a Marinha líbia evoca 134 sobreviventes e 115 desaparecidos. A ONG Médicos sem Fronteiras (MSF), na Líbia, estima que cerca de 400 pessoas estavam a bordo do barco. "Vamos continuar as operações para recuperar os corpos hoje à noite e amanhã", disse Sbeih, da ONU.
As autoridades em Khoms, uma cidade a 120 quilômetros a oeste de Trípoli e da qual partiu o barco, estão enfrentando dificuldades para enterrar os corpos resgatados, segundo uma fonte do município. Além de "problemas com os procedimentos legais", eles estão lutando para "encontrar um local para o enterro das vítimas" dessa nova tragédia.
"Precisamos de rotas seguras e legais para migrantes e refugiados, e qualquer migrante que busca uma vida melhor merece segurança e dignidade", disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, no Twitter, dizendo estar "horrorizado".
O naufrágio é um "terrível lembrete" dos riscos assumidos pelos migrantes que querem deixar a Líbia para a Europa, disse nesta sexta-feira a chefe da diplomacia europeia Federica Mogherini. "Toda vida perdida é demais", ela insistiu.
Antes do naufrágio, o Escritório do Alto Comissariado para os Refugiados e a OIM haviam informado que pelo menos 426 pessoas haviam morrido desde o começo do ano tentando atravessar o Mediterrâneo, que se tornou o mar mais mortífero do mundo.
Estado de choque
De acordo com o porta-voz da marinha líbia, General Ayoub Kacem, o barco era "de madeira" e "foi destruído a 5 milhas náuticas da costa, de acordo com depoimentos de sobreviventes". Os migrantes resgatados são na maioria eritreus, mas há palestinos e sudaneses entre eles, disse ele em um comunicado.
Menos de duas horas depois de sair da noite de quarta-feira, o barco se encheu de água e o motor parou. "Ficamos na água por seis a sete horas", disse um dos sobreviventes, dizendo que ele havia visto quase 200 pessoas morrerem entre "homens, mulheres e crianças".
"Um homem do Sudão disse que viu sua esposa e filhos se afogando, ele estava totalmente desorientado e ficou lá em estado de choque", disse Anne-Cecilia Kjaer, enfermeira de MSF. "Muitas crianças não sabiam nadar e mesmo aquelas que sabiam morreram de exaustão", afirmou.
“Viagem horrível”
Esse naufrágio foi para as vítimas o último estágio de uma "viagem horrível": antes de ir para o mar ", eles cruzaram o deserto e foram capturados por traficantes", disse a enfermeira. De acordo com os dados do IOM, pelo menos 5.200 pessoas estão atualmente em centros de detenção na Líbia.
Apesar dos riscos de cruzar a Europa, os migrantes vão para o mar, preferindo tentar a sorte em vez de permanecer na Líbia, onde são submetidos a abusos, extorsão e tortura, explicam as ONGs.
RFI
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