Tema ocupou o centro dos debates e foi o mote de um ato durante o encontro nacional do movimento em Salvador (BA)

Ato em Salvador reuniu mais de 3500 pessoas no centro da capital baiana.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem intensificado as ações de solidariedade à Venezuela desde o dia 3 de janeiro, quando o país sul-americano foi agredido militarmente pelos Estados Unidos e teve o seu presidente, Nicolás Maduro, e a primeira-dama e deputada nacional Cilia Flores sequestrados pelo regime de Donald Trump. 

Nas próximas semanas, mais de 50 militantes devem engrossar a brigada internacionalista que permanece no país, apoiando o povo venezuelano na resistência à agressão imperialista. Esse tema marcou o 14º Encontro Nacional do MST, realizado entre os dias 19 e 23 de janeiro em Salvador (BA).

“Na situação em que nos encontramos, com o presidente e sua esposa sequestrados pelo império, é importante que o movimento, sendo uma grande organização do Brasil e do mundo, coloque o assunto da Venezuela na história. A Venezuela hoje deve receber solidariedade de todo o mundo”, disse Aranha, militante do coletivo de pretas e pretos do MST durante o ato em solidariedade à Venezuela que percorreu o centro histórico da capital baiana na véspera do encerramento do encontro.

Segundo Paulo Henrique Campos, da Coordenação Nacional do movimento, a relação histórica do MST com a Revolução Bolivariana transforma a defesa do país em uma obrigação moral daqueles que defendem a democracia e o socialismo. 

“É histórica a realização deste 14º Encontro Nacional do movimento, especialmente o ato em defesa da soberania da Venezuela e da Revolução Bolivariana. Exigimos a libertação do presidente Nicolás Maduro Moros e da combatente deputada Cilia Flores, pois este é um marco de solidariedade com os povos da América Latina e do mundo. A Venezuela sofre esse ataque neste momento. Temos uma relação histórica com o povo venezuelano e este momento seguirá em nossos territórios, nos estados e em todos os espaços de construção do movimento. É nossa obrigação defender o povo da Venezuela e a Revolução Bolivariana, por isso seguiremos construindo ações em defesa do povo venezuelano”, afirmou.

Moral elevada 

O MST mantém uma brigada internacionalista em território venezuelano desde os primeiros anos da Revolução Bolivariana, e deve enviar mais militantes para o país vizinho nas próximas semanas, para fortalecer o trabalho de resistência interna e suporte ao povo da Venezuela.

Além das ações práticas, o desenvolvimento da agricultura local, a mobilização popular internacional que o MST tem promovido “eleva a moral” da população venezuelana, diante da agressão imperialista, segundo o dirigente da União Comuneira da Venezuela, Jesús Monsalve.

“Recebemos o movimento de solidariedade do Movimento Sem Terra como um apoio que eleva a moral e permite que a mensagem chegue ao nosso país. Temos o compromisso de ser porta-vozes do processo venezuelano e garantir que essa solidariedade chegue aos territórios organizados. O princípio do internacionalismo é garantido por uma organização com mais de 40 anos de luta pela terra, em um processo sustentado de progresso que também garante a luta contra os agrotóxicos, a construção de cooperativas que permitam solucionar problemas econômicos, a agroecologia, a tecnificação dos processos produtivos, mas também o processo de organização em torno da luta pela terra”, afirmou Monsalve, em entrevista ao Brasil de Fato.

Manifestante segura cartaz com os dizeres: “Trump, tire suas patas da Venezuela”, durante ato do MST em Salvador (BA).
Manifestante segura cartaz com os dizeres: ‘Trump, tire suas patas da Venezuela’, durante ato do MST em Salvador (BA). | Crédito: Larissa Lopes/MST

A ex-ministra das comunas e militante do Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv), Érika Farias, esteve presente no ato de apoio e solidariedade à Venezuela, em Salvador. E também ressaltou a importância do movimento de solidariedade liderado pelo MST.

“O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das organizações que, sem dúvida, demonstra a maior expressão de amizade e solidariedade. O laço de amizade e cooperação que nos une não conhece limites. Somos amigos, somos irmãos. Bem, estamos aqui hoje porque eles estão celebrando seu 14º congresso em 42 anos, e queríamos vir compartilhar da imensa força do movimento, que também nos ajudou a moldar, e compartilhar com nossos camaradas a luta que travamos atualmente na Venezuela para trazer de volta nosso presidente Nicolás Maduro e nossa camarada Cilia Flores”, disse a ex-ministra.

Para os venezuelanos, é justamente a força das organizações populares que tem conseguido, mesmo diante da agressão, manter de pé o projeto de transformação que vem sendo promovido no país há mais de duas décadas. 

“Além dos partidos aliados ao Partido Socialista Unido da Venezuela, há um sem-fim de organizações e movimentos que participam de todo o exercício político, assim como as equipes que trabalham nos conselhos comunais e comunas. Toda essa organização hoje está na rua porque a revolução se constrói e se defende na rua, sendo essa a nossa arma de maior sofisticação”, destaca a ex-ministra, que também é parte da frente política Francisco de Miranda.

Por outra lado, Jesús Monsalve destaca que além da resistência à investida militar dos Estados Unidos contra o país, há um projeto de nação que deve ser defendido. 

“Atualmente, há mobilizações quase todos os dias em cidades importantes ou na capital, convocadas de forma autônoma ou pelo Partido Socialista Unido da Venezuela e pelo governo. O comandante Chávez nos deixou um projeto histórico de construção do socialismo no território através da comuna”, afirma o comuneiro.

“A comuna é uma forma de autogoverno onde o povo exerce a gestão por meio de assembleias de cidadãos e cidadãs e uma estrutura interna de responsabilidades. Ela se compõe por vários conselhos comunais e representa nosso projeto de democracia direta, participativa e protagônica contra a democracia representativa, que muitos têm tentado fazer a gente acreditar que é a única forma de participação possível”, explica. 

“O imperialismo é insustentável e compromete a vida no planeta, como dizia Hugo Rafael Chávez Frías. A única forma de superá-lo é através da construção do socialismo no território”, completa Monsalve. 

 Publicado originalmente por: Brasil de Fato

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